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sábado, 14 de julho de 2012

[Bones fic] Crypt


Autora: Ellen
Classificação: +18 NC-17
          Categorias: Bones 
          Gêneros: Drama
          Avisos: Violência
Brennan tentou acordar. Ela foi dormir cedo e não podia entender porque estava sendo tão difícil pra ela acordar. Ela se virou para olhar o despertador. Alguma coisa estava errada. Ela não podia ver na escuridão. A luz acabou? Enquanto sua mente clareava, ela percebeu que não podia nem mesmo ver a luz fraca pela janela. Alguma coisa estava muito errada mesmo.
O ar era diferente. Não era só o cheiro, mas toda a atmosfera também. Havia um eco à respiração dela. O ar era velho, mofado. Sua mente lutou para clarear. Sua língua estava grossa.
*O que está acontecendo comigo? Eu estou doente? Onde estou?*
Ela arregalou os olhos, procurando uma fonte de luz. Ela ergueu a cabeça num esforço para se sentar. Deu com a cabeça no teto que era muito baixo. Sua mente ainda não conseguia atinar sobre o que estava acontecendo. Seu corpo estava muito pesado. Ela não podia ver um dedo na sua frente. Seu coração começou a bater mais rápido, à medida em que seu medo subia.
Ela podia ouvir toda respiração que dava vindo de volta pra ela.
*Eu fui apanhada num terremoto?*
A pior parte de tudo era que ela não podia ver nada. Ela não tinha memória do como ela chegou onde estava. Ela estava totalmente desorientada. Pânico começou a aparecer.
*Pense, Brennan. Pense*
Ela estendeu as mãos, e seus braços bateram nas paredes muito próximas. Brennan estava fora de controle. Cegamente, ela colocou as mãos no teto. Nas paredes, ela empurrou forte. Ela estava numa caixa apertada. Seus pés nus estavam batendo o fundo, e ela percebeu que isso não era maior que um caixão.
Pânico subiu furiosamente. Sua busca selvagem para algum tipo de abertura foi embarreirada pelas duras e frias paredes de aço de sua prisão. Seu bater frenético nas paredes produziam sons amortecidos às suas orelhas.
"Alô-ô? Alguém pode me ouvir?" nenhum som de volta.
Brennan não conseguia respirar direito.
*Focalize, Brennan. Focalize.*
*ok, ok. Onde eu estou?*
Nada. Não importa quanto pensava, Brennan não podia achar uma explicação lógica de onde ela estava. Ela tocou os olhos. Será que estava cega? Nesse caso, onde ela estava? Ela lutou para permanecer tranqüila.
*isto não está acontecendo, isto não pode estar acontecendo *
*Pense, Brennan. Pense.*
Analiticamente, ela sabia que seu próximo passo era avaliar sua situação completamente.
Respire devagar... Lento... Calma...
*ok, agora... No quê eu estou presa?*
Ela colocou a mão no teto e analisou a dura superfície que a cercava. Dura e fria. Ela sentiu o chão. Só tinha um colchonete fino por cima, e era nisso que ela estava deitada. Brennan ainda usava o mesmo pijama de seda que tinha usado para dormir na cama. Sua memória voltou até onde ela estava lendo e depois dormiu. Tateando, ela sentiu que em algum lugar perto do seu quadril esquerdo, tinha alguma coisa
*Um interruptor de luz*
Brennan piscou quando acendeu a luz. Ela ainda estava tentando ajustar a visão, quando percebeu onde estava. Ela respirou mais rápido quando deu uma olhada em sua prisão. As paredes eram feitas de aço. Os cantos estavam soldados, mas na tampa não. Ela tinha sido fechada por fora.
Ela viu um bilhete em cima de sua cabeça. Seu nome estava escrito no papel dobrado.
"BRENNAN"
Ela gelou quando várias suspeitam se confirmaram e a atingiram ao mesmo tempo.
*Eu não estou aqui por acidente.*
*quem iria querer me colocar aqui?*
Mãos trêmulas abriram o papel.
"Bom dia, luz do sol,
Se minha química é boa, devem ser umas nove da manhã de onde eu estou, já que você não deve ter demorado para ver onde estava a luz. Você é uma mulher inteligente, então eu sei que você viu logo onde estava o interruptor. Espero que você esteja muito incomodada. Relaxe e desfrute. Pense no lado bom das coisas - você não vai ter que esperar muito tempo.
Quando tempo alguém pode agüentar sem água? E sobre o frio? Como é morrer por exposição? Sendo uma médica inteligente como você é, tenho certeza de que você tem respostas para todas essas perguntas. Então, a pergunta mais importante agora seria... quão inteligente é aquele seu maldito parceiro? Será que ele vai entender tudo a tempo? Será que você pode sobreviver até que ele consiga?
Por via das dúvidas, tomei a liberdade de te enterrar a dois metros do chão. Tenho certeza de que esta será uma experiência inusitada para você. Aí com você tem um telefone. Você vai achá-lo, ou ele vai te achar. Mas você vai ver que ele está preso a alguns fios, pois eu não quero que ninguém descubra onde você está. Caso você tente tirar esses fios, você vai destruir o telefone. Sinta-se livre para tocar no que quiser. Você sabe quanto ainda tem de bateria, e quando tempo tem para falar pelo telefone.
A seus pés tem um tipo de comadre. Só tem uma fonte pra luz e o cano que te dá oxigênio está numa abertura perto dos seus pés, com um ventiladorzinho. Você tem 72 horas de energia. Claro que isso diminui se você usar a luz ao mesmo tempo. Vou deixar você decidir como vai ser usado.
Posso-te dizer que estou esperando sentado a diversão começar. Diga pro Booth que mandei um alô.
Joel Mullins "
A carta parecia surrealista para ela. De alguma maneira, parecia quase cômico. Como um tipo de piada doente. Brennan olhou ao redor dela. Ela não podia ver o telefone em lugar nenhum. Pânico a agarrou novamente. Isto era real. O autor queria da carta estava falando a verdade.
*e se ele mudou de idéia sobre o telefone?*
*Jesus! Onde está o telefone?*
Como se em sugestão, ela ouviu o aparelho tocar. Brennan procurou loucamente pela fonte do som, que estava em algum lugar a seus pés. O espaço apertado não dava muito espaço para se mexer e ela se apavorou de quem estivesse do outro lado pudesse desligar. Ela encontrou o aparelho debaixo do colchão fino, no fim da cripta. E ela quis saber como não percebeu o caroço que o aparelho estava criando ali.
Seu seqüestrador não tinha mentido. Tinha um estranho anexo grudado ao telefone dela. Brennan não tentou remover. Era uma caixa pesada, desajeitada que fez com que a manipulação do telefone fosse incômoda. Levou uma eternidade para ela achar o botão.
"Alô??" Ela tentou se controlar, mas era difícil, pois ela queria começar e gritar e nunca mais parar.
"Yeah, ei Brennan, nosso avião vai nos deixar pra trás. Estou quase pronto para quebrar as regras e brilhar meu distintivo para comprar um tempo pra gente, mas você sabe que eu adoro seguir as regras. Onde você está?" o tom dele estava claro, quase uma canção.
A realidade de sua situação estava penetrando lentamente. Eles tinham um vôo marcado para Montana, para uma consulta. Mas a questão não era somente perder o vôo, ou a reunião. Era outra completamente diferente.
Este era um jogo que alguém estava jogando com as vidas deles. De novo. Quando foi que eles se tornaram ponto de partida para todo maluco e psicótico da terra?
Ela estava presa em seu próprio caixão, enterrada viva! Seu parceiro estava falando com ela, e tudo que ela poderia fazer ficar imóvel, rezando para que nada disso estivesse acontecendo.
"Brennan... você está aí?"
Ela respirou fundo várias vezes, forçando a ficar calma.
"Yeah, eu estou aqui. Eu só não sei onde é 'aqui', Booth."
Ela poderia ouvir o sorriso na voz dele.
"O q-quê? Você dormiu demais? Quem normalmente faz isso sou eu e..."
"Booth, alguém... levou-me... alguém me pegou, e me colocou dentro de uma caixa."
"O que? Com seu telefone?" Ele quase parecia rir ao dizer as palavras. Ela não respondeu. Booth ficou sóbrio rapidamente quando sua mente começou a processar o tom de voz estranho dela.
Ela estava assustada.
"Do que é que você está falando? Levou-te pra onde?"
Ela lutou para manter o medo longe de sua voz quando falou de novo.
"Eu estou debaixo de... alguma coisa. Eu... eu não sei onde estou. Eu... acordei aqui." a voz dela vibrava. Ela estava tremendo com uma combinação de frio e adrenalina. "O que está acontecendo, Booth?"
Booth derrubou a bolsa que ele estava carregando. Olhou ao redor. Pessoas estavam ocupadas, indo para seus vôos. O pesadelo vivo dela entrou nele. Ela estava falando sério! E ele percebeu que eles estavam em mundos diferentes. De alguma maneira, parecia errado ter esta conversa aqui neste aeroporto. Isto não deveria estar acontecendo. Sua mente voltou para a realidade do que ela estava dizendo. Ele virou nitidamente do "Booth, amigo e parceiro", para "Agente Especial Seeley Booth."
"Está tudo bem, Brennan. Conte-me o que aconteceu, o que você sabe." Ele a uniu numa luta para manter algum equilíbrio em sua voz. A mente dele estava trabalhando no problema mais rápido que o pensamento consciente o mantinha.
"Eu não sei. Eu acordei em algum tipo de caixa... e está escuro." pânico rastejou na fala dela. Retransmitida claramente para ele. "Eu... achei uma lâmpada. E um bilhete, e meu telefone. A julgar pela maneira como eu sinto meus músculos, e a referência da química na nota, eu diria que fui drogada." Ela estava tentando declarar tudo factualmente, mas não estava conseguindo. Booth poderia ouvi-la lutando para se controlar. E ela estava perdendo a batalha.
"Brennan, agüente. Eu vou te achar. Leia o bilhete pra mim."
Ela leu. O esforço de manter a voz firma era quase demais para ela. Brennan lutou contra a constante guerra para chorar. Quando terminou a leitura, ela não podia ouvir nada. Por um momento apavorante, ela pensou que eles tinham sido desconectados.
"Booth, você está aí?" a mente dele estava trabalhando rapidamente enquanto ele voltava para o carro.
"Eu estou aqui. Brennan, quanto tempo você tem nas bateria do celular?"
"Eu não sei, Booth. Eu... eu... não..." ela soprou uma respiração funda. Brennan estava perdendo luta, a combinação do frio e terror a estava empurrando para um estado de choque. Booth poderia ouvir a voz dela se quebrando.
"Brennan ...fique comigo, certo? Eu sei que é difícil, mas eu preciso da sua ajuda aqui. Eu =vou= te achar. Você vai ficar bem. Ok?"
Ela acenou com a cabeça, mas não respondeu. Sua voz era uma traidora que ela não confiava.
"Eu vou ter que desligar agora. Tudo vai ficar bem. Eu só preciso que você fique tranqüila." Ele falou com uma compostura que não sentia, mas ele estava contente que podia falar assim com ela.
"Tudo bem." ela falou, e esperou até que ele desligasse, pois ela não iria conseguir fazer isso.
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Minutos passavam como horas dentro da caixa. Ela apagou a luz para preservar energia. Tudo que ela podia fazer era esperar. Mas Brennan ficou imaginando o que Booth estaria fazendo agora. Provavelmente ele estava no trânsito, voltando para o Bureau, falando no celular para já começar a linha de ação para ir atrás dela. Ela sabia, com certeza, de que ele dobraria o mundo até que ela estivesse segura.
*eles vão me achar... =ele= vai me achar.*
O ar ainda estava mofado e úmido de quando ela despertou. Brennan ainda estava com frio. Seu seqüestrador não achou prudente deixar uma manta. Esse pensamento fez a alma dela tremer enquanto ela começava a traçar um perfil de si mesma.
*ele está tentando mostrar que não liga se eu vivo ou morro*
Normalmente, isso era padrão. Porém, nos casos em que trabalhou, Brennan sabia que até mesmo os caras ruins tem um coração debaixo de toda maldade. Todo mundo tinha um pouquinho de compaixão... Psicopatas eram doentes, e eles matavam depressa suas vítimas... além disso, ele tinha deixado uma comadre e um quase-colchonete para ela. Isso não é algo que uma pessoa completamente destacada emocionalmente faria. Era um gesto empático ao que ela se agarrou. E essas eram as únicas boas notícias.
*ele está tentando pensar que é bom e justo, mas isso tudo é sobre vingança.*
Ele não deixou nenhuma comida ou água. E não a torturou. Resumindo: ela era apenas uma conseqüência para ele, como um meio para chegar ao fim.
Brennan sabia que isto era algo que tinha sido planejado há muito tempo, devido à complexidade disso tudo. Qualquer erro tinha sido considerado.
*Possivelmente um homem*
O perfil típico para este tipo de planejamento sugere um homem. Só a força para cavar um buraco, tira-la da cama e a colocar nisso confirma a idéia.
* uns trinta anos, pouco menos de quarenta*
Criminosos violentos com vinte anos tendem a ser menos organizados. Criminosos mais velhos normalmente não estavam em forma para fazer isso. Não que a geração mais velha de hoje não estivesse em forma, mas suas vidas não.
*ele tem uma inteligência acima do comum*
Sem dúvida, dadas as circunstâncias. Este era claramente um jogo para ele, um jogo para saber quem é o mais inteligente da classe. Um jogo que ele virou todos os dados a seu favor.
*ele quer ser pego.*
Tudo isto era para ferrar o garoto de ouro do Bureau. Ela tinha certeza disso. Por alguma razão, o raptor precisava mostrar que ele era melhor que Booth, e depois se vangloriar disso. No final, ele precisaria saber que venceu Booth. Infelizmente, isso só poderia acontecer se ele conseguir realizar este feito aqui.
*então, quem poderia ser?*
Ela gemeu intimamente quando percebeu que poderia ser qualquer uma das mil pessoas que foram expostas ou vencidas por Booth de alguma maneira. Quando você é bom em algum trabalho na lei, você não faz muitos amigos fora do trabalho.
Pensando bem, dentro também não, no caso de Booth. Então, ela percebeu que ele teria sucesso se jogasse pelas regras, mas ela não queria isso. Não agora. A parte dele que ela admirava era a parte em que ele dava a louca, não se importando com as regras, se arriscando para conseguir seu objetivo. Então, o telefone tocou, a tirando de seus pensamentos.
"Booth?"
"Como você está indo, Brennan?"
"A pergunta aqui é como você está indo? Onde você está?" Ela estava muito mais controlada. Sua desorientação tinha se dissipado um pouco.
"Estou no Bureau. Andrew Hacker está organizando as coisas aqui. Nós vamos te achar."
Ela não podia dizer nada. Ela acreditava nele. Mas logo ela estava tremendo de novo.
"Quem poderia estar fazendo isto? Quem é Joel Mullins, Booth?"
"Estamos nisso agora mesmo. Mas o nome não é familiar."
"Mas ele me é familiar. Será que foi algum caso em que trabalhamos?"
"Acho que não, mas estamos vendo isso. Brennan, quanto tempo tem na bateria do seu celular?"
"Não mais do que algumas horas."
"Preciso que você leia o bilhete para mim de novo. Me diga se você nota qualquer coisa diferente... qualquer coisa. Descreva os mínimos detalhes."
Ela fez isso, tentando descrever o papel, o estilo da letra e tudo mais. Ela falava com uma voz trêmula, os dentes batendo. Quando terminou, ela apagou a luz mais uma vez.
"Você está tremendo".
"Eu estou com frio."
Booth fez careta ao ouvir isso. Se ela estava com frio agora, como ela ficaria quando o ventilador empurrasse o ar mais frio pra dentro? Eles ficaram com o telefone ligado, durante alguns minutos, nenhum deles dizendo nada. Ambos sabiam que ele tinha que achá-la, ou ela morreria. Brennan escutou enquanto ele interagia com o Bureau.
"Booth? ...um... você falou com a meu pai?"
"Não... por que? Você quer que eu ligue pra ele?"
A verdade era que ele não poderia falar com ele, pois Booth sabia que cada vez que ele ouvia a voz do parceiro da filha, ele sabia que algo estava errado.
"Por favor, não ligue pra ele," ela suspirou. "Eu...não quero envolve-lo nisso neste momento."
Booth ficou mais do que um pouco aliviado pelo pedido dela. Só poderia ter vindo dela. Na verdade, ela não queria vestir em Booth o horror de contar para seu pai onde ela estava.
E agora mesmo, ela ainda acreditava que era uma questão de tempo até ele encontrá-la.
"Booth, o NCIC mostrou alguma coisa?"
Ele estava perdido em pensamentos.
"Hmm?"
"Mullins... você o achou?"
"Todos os sete que estão na área de Maryland. Estamos verificando."
Booth poderia apostar que agora mesmo ele estava encarando um monte de informação ao mesmo tempo.
"Alguma coisa? Fale comigo Booth, me diga o que você está vendo ".
"Estou tentando entender uma coisa... espere..."
Isto era tolo. Ela não podia ficar no telefone o tempo todo com ele, se arriscando a perder a bateria. Ela sabia que ele só queria ficar com ela. Mas ela estava ficando tensa, e podia sentir suas emoções subindo rapidamente de novo.
"Olhe, por que você não me liga quando tiver alguma coisa?"
Isso o arrancou da veia de pensamento que ele estava. A voz dela tinha soado muito mais irritada do que ela pretendia.
"Brennan, eu sinto muito. Eu estava vendo os rostos nos arquivos."
Ele só queria ficar com ela no telefone, mesmo não falando nada, para ela não se sentir sozinha. Brennan sabia disso, e decidiu ser mais suave.
"Booth, eu estou bem aqui. Te ligo quando as coisas ficarem ruins. Você precisa ficar livre para seguir seus palpites sem a distração de um telefone na sua orelha o tempo todo."
"Por mim, tudo bem. Além disso, eu estou acostumado a ter sua voz na minha orelha e nos meus pensamentos a todo momento."
"Booth eu estou bem. Só ache logo a resposta e venha me pegar, ok?"
Ela desligou e respirou fundo.
*e agora?*
Não ia demorar, ela argumentou. Booth era bom no que fazia, e não havia dúvida para ela de que ele iria resolver este mistério. Mas o corpo dela estava tremendo de novo. Brennan esfregou os braços num esforço para esquentá-los. Puxando os joelhos até o tórax, ela abraçou as pernas. Ela estava assustada, de verdade. Sua voz da razão tentou consolá-la, impotente.
Sua mente estava passando pelos 'se' de novo. Ela parou de pensar nisso quando eles apareceram. Booth a encontraria. Ela sabia disso. Sempre acontecia assim, não era?
Ela encarou a escuridão, podendo ouvir o barulho minúsculo do ventilador. Brennan tentou fingir que estava em sua própria cama, mas o ar fedorento, o colchonete duro e o frio penetravam em sua mente com uma sensação negativa muito forte. Seus pensamentos iam e vinham. Quem era Joel Mullins? Aquele nome parecia familiar a ela de alguma maneira.
Não era um nome que ela tinha usado... .mas que ela leu em algum lugar.
*bem, se o nome dele estiver na mídia, vai ser fácil achá-lo*
Era uma coisa fraca em sua mente, e isso a aborreceu.
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Booth não mostrava externamente o que se passava por dentro dele. A maioria dos agentes nesta investigação queria saber o quanto ele se preocupava com sua parceira. Ele trabalhava sem um arco de emoção que a maioria das pessoas teriam.
Mas se Brennan estivesse lá, ela veria o caos dentro dele. Ela veria que esta era a maneira dele lidar com seus sentimentos. A intensa emoção viria depois, quando era seguro fazer isso longe de olhos curiosos, satisfeitos. Ele tinha sido separado há tanto tempo, que ele não daria chance pra ninguém ver os seus pensamentos internos.
Ninguém a não ser Brennan. Mas ele não pensava nela como uma entidade diferente. Eles eram íntimos demais nestes dias para isso.
Os agentes no quarto estavam matutando. Eles se ressentiam com a presença de Booth, mesmo com o fato de que era a vida da parceira dele que estava em jogo. Booth também se ressentia com a presença deles, mas ele precisava de alguém para fazer o trabalho de perna. Ele não ligava para o que os outros pensavam, contanto que eles o ajudassem na procura de sua parceira. Todo mundo sabia disso, e era esse o ressentimentos deles.
Booth era inacreditavelmente inteligente. Parte do motivo por que ele resolvia as coisas era porque ele não jogava pelas regras. Ele não seguia um palpite normal, assim como suas investigações. Ninguém queria acreditar nele, mas todo mundo sabia que o gênio dele estava intato. Era por isso que os grandões o toleravam por tanto tempo. Mas não o fazia mais popular entre seus colegas.
O crescente grupo tinha concordado em várias rotas de ação e Booth tinha um propósito agora. Ele foi para um dos prédios de comunicações não muito longe do Bureau. Ele ligou para Brennan.
"Brennan, sou eu. Tem alguém aqui que eu quero que você fale." Ele deu o telefone para o outro cavalheiro na sala.
"Drª Brennan, aqui é Max Kendall. Eu trabalho no prédio de Telecomunicações de DC. Seu parceiro me deixou a par da sua situação. Acho que posso te ajudar."
"Certo, o que você pode fazer?"
"Bem, nós podemos triangular a área onde você está através do sinal que seu celular está emitindo. O Sistema de Local Sem fios, ou WLS, foi montado há algum tempo para nos ajudar a localizar chamadas para o 911 feitas de celulares. Vamos usar isso para tentar encontrar o seu local."
"Está parecendo fácil demais."
"Um dia no parque daqui ".
Esperança subiu nitidamente dentro de Brennan. Kendall estava ocupado do outro lado, trabalhando no monitor. Booth olhava a tela, olhando os números correndo. A sucessão deles parecia ao acaso. Depois do que parecia uma eternidade, Brennan poderia ouvi-los conversando, mas não podia entender nada do que estava sendo dito.
"Kendall? Booth?"
"Drª Brennan, estamos tendo alguma dificuldade aqui. Acho que vamos ter que tentar outra coisa."
"Por que, o que aconteceu?"
"Parece que ele fez alguma coisa com o seu celular, pois o sinal está numa freqüência alta demais. Você pode descrever o que está preso ao telefone?"
Ela acendeu a luz. O brilho machucou os olhos dela por um momento. Ela piscou e afastou o telefone para olhar mais de perto.
"Tem uma caixa preta com 8 polegadas quadrada, eu acho. Está coberta e é feita de acrílico. Está presa ao celular com fios, e é muito pesada. Vou tentar tirar a fita -"
Imediatamente, eles perderam o sinal. Booth encarou a tela que tinha pego o sinal dela. "Que diabos aconteceu?" a conexão foi quebrada. Booth agarrou o telefone das mãos de Kendall.
"Brennan?!"
A linha estava morta. Ele apertou freneticamente o botão de send para ela.
Ela nem cumprimentou. "Desculpe... acho que desliguei quando comecei a mexer na fita."
Booth soltou um suspiro de alívio que veio do fundo da alma. Ele pensou ter perdido sua única conexão dele com ela.
"Booth?"
"Yeah, eu estou aqui. Vou te passar pro Kendall."
"Então, o que estamos procurando, Drª Brennan?"
"Como eu disse, uma caixa preta. Tem dois arames saindo dela e para o fundo do telefone. Não vejo um jeito de abrir a caixa, é como se ela tivesse sido soldada, eu não..."
"É uma cheesebox ".
"Uma o que?"
"Uma cheesebox. Ela altera e fica repetindo o sinal. Fica difícil, quase impossível de triangular. Hmm..." ele exalou ruidosamente. "Deve ter outra opção aqui... deixe-me ver..."
Ele estava trabalhando de novo no micro dele.
"Qual é o modelo do seu celular?"
"É ...uh ... Nokia 6160 ".
"E a bateria foi carregada?"
Brennan exalou ruidosamente. "Não completamente. Acho que passei uma meia hora falando nele hoje de manhã."
"Ok, então eu diria que você tem entre 2 e 2 1/2 horas de bateria ainda. A outra coisa que eu quero tentar é ter acesso ao seu MIN e ESN ".
"Se importa em traduzir pra mim?"
"São dois jogos de número que te identificam para a companhia telefônica de celular. Se eu souber os números, posso localizar a chamada dessa maneira também. Espere."
Kendall a deixou à vontade, mas Brennan estava lutando contra o desejo de desligar e economizar a bateria.
"Certo, peguei. Vamos trabalhar aqui e ver o que conseguimos."
De novo, ela ouviu as vozes. E desta vez poderia ouvir a frustração.
"Brennan?" Era Booth. "Nós vamos continuar tentando".
"Para a língua do vocabulário de Booth, isso quer dizer - não funcionou?" a voz dela estava tão desapontada quanto ela se sentia.
"Kendall acha que tem algum sinal externo interferindo. Não vamos desistir daqui, e nem você. Mas acho que podemos desligar a conservar a carga. Você vai ficar bem?"
*Claro que eu vou ficar bem! Eu só estou presa dentro de uma caixa do tamanho da minha banheira, sem comida, nem água.*
"Eu vou ficar bem".
Brennan desligou o telefone. Ela apagou a luz e poderia ver o brilho lânguido do mostrador do telefone. Ela decidiu que deveria desligar o aparelho. De repente, ela sentiu que precisaria de cada última gota de bateria dele, e não quis desperdiçar nada.
E ela ficou sozinha no escuro de novo, não podendo controlar os próprios pensamentos a respeito do que aconteceria a ela caso Booth não a encontrasse. Ela sabia que se a exposição não a matasse, a desidratação a mataria. E se ela estava a dois metros abaixo do chão, e o cano da abertura não tivesse mais de 10 polegadas ou algo assim, ela ia sufocar até a morte quando a bateria do ventilador acabasse. Não havia saída. E ela duvidava de que o cano tivesse mais do que seis polegadas.
Brennan tentou calcular que horas eram. Ela sabia que o primeiro telefonema foi por volta das 9h30, pois o vôo estava marcado para 09h40. Quantas horas desde então? Quando Mullins a pegou? Quantas horas? Ela não podia dizer. Pra ela, o tempo não tinha mais sentido. Ela achou que deveria ser de tarde, e que Booth estava, desde a manhã, fazer as coisas que precisava fazer para encontrá-la.
*setenta e duas horas menos oito (mais ou menos) é...*
Ela não quis mais pensar em tempo.
Brennan sabia todos os efeitos da privação sensória. Perda de memória e um QI decrescente eram as pequenas coisas. Retirada, alucinações, eletroencefalograma anormal seriam outros resultados desta privação. Brennan conscientemente tentou exercitar sua mente. Infelizmente, só ia para uma direção.
*estimulação de movimento solto, provendo o cérebro com sensação tátil e de estimulação externa são a única liberação para isso*
Ela começou a chorar suavemente na escuridão. Ela queria ir embora. Sair dali. Ela queria que Booth viesse e a tirasse dali logo. Ela queria ouvir ele cavando a terra sobre ela. Ela queria ver o alívio no rosto dele e sentir seus braços fortes ao redor dela enquanto ele a consolava, e então ela colocaria uma expressão valente no rosto que ambos sabiam que seria uma farsa. Ela não podia parar de pensar nisso, e lamentou incontrolavelmente.
Finalmente, Brennan fez a única coisa que poderia fazer, dado as circunstâncias: ela tentou dormir.
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Hacker tinha tido um dia difícil. E não parecia que ia terminar tão cedo. Booth estava tendo um dia de cão, levando todo mundo no Bureau à loucura. A perícia não tinha achado nada no apartamento de Brennan. Então, Booth os mandou de volta para verificarem tudo de novo. A equipe levou isso como um insulto profissional. Hacker se encontrou mediando a cena. Ele não pensou que a perícia tinha perdido alguma coisa, mas sabia que se Booth acreditava que uma segunda perícia era necessária, então ele o apoiaria. Mas isso não o impediu de puxar Booth num canto e falar com ele.
"Booth, eu posso ter uma palavrinha com você?"
"Não tenho tempo pra isso." Booth sabia o que Skinner queria. Afinal de contas, ele era o Diretor Assistente.
"Sugiro que você vá com calma em algumas coisas, Agente". a voz dele tinha um tom que dizia a Booth que ele poderia perder a posição dele como chefe da investigação. Ele não queria perder isso, então ele parou de andar e se virou para seu chefe.
"Tenho muita confiança em suas habilidade como investigador. Mas preciso que você entenda que se você quiser que as pessoas façam o melhor delas neste caso, você tem que tratá-las com um pouco mais de respeito."
"Ele não pode ter aparecido no apartamento dela como mágica! Eles disseram que não havia sinal de entrada forçada. Nem mesmo eu tenho a chave dela! Agora, como alguém pode entrar sem deixar rastros? Sem deixar uma digital, um fio de cabelo, nada... isto não faz sentido. Eles precisam perguntas aos vizinhos de novo..."
"Não estou falando só da perícia, embora isso faça parte também. Estou falando sobre você olhar por cima dos ombros de todo mundo, conferindo o que eles estão fazendo. Você tem que confiar nas pessoas em alguma hora."
Ele olhou nitidamente para Hacker com um olhar significante que dizia que ele não confiava em ninguém. Hacker suspirou e enfiou as mãos nos bolsos.
"Dei livre reinado para você nesta investigação, o que não faz parte do protocolo. Acho que nós dois sabemos disso. Fiz isso porque sei que você é muito bom nisso. Mas você não está agindo bem dando fora em todo mundo dessa maneira."
"Acabamos aqui?"
"Não, não acabamos." Hacker sabia que estava falando para orelhas surdas. Booth estava cansado e nervoso. Ele suspirou, pesado. "Você comeu alguma coisa hoje?"
Booth ficou atordoado pela pergunta. A reação dele foi de raiva.
"Você vai me levar até a lanchonete e me comprar o jantar? E será que vai ser você quem vai falar de Brennan enquanto comemos?" ele ofereceu o telefone para o diretor assistente."
"Você está passando dos limites. Ego-privação não vai ajudá-la, e ela seria a primeira a concordar comigo nesse assunto."
Booth só tremeu a cabeça e saiu. Ele foi ao banheiro, e agradeceu porque estava deserto. Espirrou água no rosto, e na hora sentiu culpa. Ela nem mesmo tinha água para beber, imagine para lavar alguma coisa. Ele olhou para o espelho, e quis saber, não pela primeira vez, o que ele tinha feito para colocá-los nesta situação. Agarrando a beirada da pia, ele respirou fundo várias vezes, e lutou contra o desejo de só afundar no chão e gritar.
Eles tinham tentado de tudo para encontrar o sinal. A única outra coisa que eles poderiam tentar era desconectar o scrambler. Kendall tinha dito que sem ferramentas e conhecimento de como o telefone funcionava, ele tinha dúvidas de que poderia ser feito. Era óbvio que o suspeito sabia de eletrônica e Brennan não teria chance.
Ele tinha perseguido o nome de Joel Mullins desde às três horas da tarde e não tinha encontrado nada. Ele tinha agentes olhando pelos arquivos, procurando o nome. Mas não estavam chegando a lugar algum.
Mas era à noite que ele mais se torturava. Booth estava preocupado com o frio que ela poderia estar sentindo. Ele encarou o telefone por um momento antes de tentar o número dela. A gravação dizia que ela não estava disponível. Medo gelou a sua alma.
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Brennan acordou de repente. Ela não tinha dormido, pois sabia que o estado em que ela esteve inconsciente não era sono. Foi algum tipo de cochilo, ou algo do gênero. Pura exaustão. Sua mente esta muito desorientada. Ela poderia perceber que estava mais frio dentro da caixa e ela percebeu que por pouco não tinha ficado inconsciente demais para acordar. Esse medo enviou uma adrenalina muito necessária pra ela. Tentando se aquecer, ela desceu os braços, subiu as pernas e tentou se abraçar.
Brennan percebeu, de repente, que tinha desligado o telefone. Ela só ia deixar desligado por um pouco de tempo. Quanto tempo ela ficou inconsciente?
Ela agarrou o celular no escuro. Por um momento ela esqueceu dos fios, e ficou com medo de ter puxado muito forte. Medo a atingiu quando ela viu que poderia ter danificado a conexão. Ela acendeu a luz e olhou. E sentiu um enorme alívio quando viu que tudo estava bem.
Booth estava na sala de operações com dois outros agentes. Eles estavam olhando o perfil que ele tinha escrito e tentando trabalhar numa lista geral que poderia se ajustar ao perfil. Os outros agentes tinham ido embora, terminando o dia. A nova equipe estaria vindo.
"Brennan?" Ela poderia sentir, somente naquela palavra, que ele estava preocupado, e ela sentiu muita culpa.
"Yeah, sou eu ".
"Caramba Brennan, o que aconteceu?"
"Eu desliguei o celular... eu... acho que não estava pensando muito bem."
Ele não reagiu. Ela poderia apostar que ele estava tentando com muito esforço não mostrar sua frustração e raiva por ela ter feito isso. E isso, de repente, fez ela mesma ficar com raiva. Nenhum deles disse nada por um momento.
"Ok, então..." Booth falou um pouco mais forte do que o necessário. Ele estava tentando não aumentar isso, mas a verdade era que ela tinha assustado ele até a alma. Durante todo o tempo em que o telefone dela não dava resposta, ele tinha ficado andando de uma lado para o outro e estalado com as pessoas durante toda a noite. Booth não estava se sentindo chegando mais perto de encontrá-la.
"Você fez algum progresso?"
"Trabalhei num perfil, um bom, mas não acho que isso vá nos fazer te encontrar mais rápido."
Ele teve que morder a língua e não compartilhar com ela coisas que ele normalmente falaria, como a frustração de novas pistas para movimentar a investigação. Ele já disse muita coisa naquele comentário, e não queria que ela ficasse mais preocupada do que já estava.
"Como você está indo?"
"Bem, minha garganta poderia gostar de um pouco de água. Por outro lado, eu me sinto humilhada em ter que usar a comadre. Estou necessitando desesperadamente de um banho, nem que seja só para purgar toda a memória disso. Estou tendo vendo visões de ser encontrada daqui a anos, num estado tão ruim, que vai ser necessário usar identificação da arcada dentária para me identificar. Caso contrário, até que estou indo bem."
Brennan se sentiu culpada, de repente, por ter colocado isso nele, então ela optou por aliviar as coisas entre eles um pouco.
"Você sabe, eu vou te fazer comprar o meu jantar quando você me encontrar. E não vai ser nenhum desses lugares baratos, onde vendem esses hambúrgueres horríveis que você gosta de me levar. Alguma coisa bem bonita, como no 'Angel's', talvez. Quando mais tempo você demorar pra me achar, mais tempo eu vou ter para pensar num lugar mais caro.
Booth forçou um sorriso. "Então eu acho que é melhor eu te achar logo senão vou ter que vender algumas das minhas ações. Que tal o 'Beefeater'"?
Ela torceu o nariz. "Você sabe que eu estou tentando cortar carne vermelha, Booth."
"Ninguém te disse que não é a carne vermelha que você tem que evitar, e sim aquelas coisas verdes e mofadas?"
Ambos estavam procurando algo normal. A inteligência entre eles não estava combinando, de alguma maneira. Ao invés, estava tendo o efeito de afastarem ainda mais o outro. A voz de Brennan ficou mais suave, então.
"Então... me diga o que você descobriu. O bom e o ruim, Booth. Eles conseguiram achar alguma coisa no meu apartamento?"
Ele deu um suspiro cansado.
"Não, não havia nada lá. Nenhum sinal de entrada forçada, nada, e isso está me deixando confuso. Uma chave seria a única entrada lógica. O que joga suspeita sobre seu proprietário, ou qualquer um que teria acesso às chaves mestras dele. Mas eu não acho que isso vá levar a algum lugar. Eliminei quase todos os Joel Mullins da área. E quase não temos mais recursos para localizar o seu sinal. Já usamos quase tudo. Mas tenho certeza de que o perfil que fiz está corretíssimo, e o cara vai ligar pra mim. Estamos prontos pra isso. Fora isso, meus olhos estão doendo de tanta leitura que já fiz."
Algo estalou em Brennan.
"O *que* você fez?"
"Lendo... eu revisei--"
"Booth! É isto!"
"O que é o que?"
"Você nunca leu o livro que te dei no seu aniversário? 'Call Danger'?"
Será que ela estava perdendo a razão?
"Uh ...não, Brennan, eu não li o livro..."
"Bem, é uma pena. É um bom livro, um thriller psicológico sobre um detetive que foi espiado por outro detetive. Joel Mullins era o espreitador Booth. Ele era o personagem do livro que eu comprei pra você."
Então ele percebeu o que ela queria dizer, e esperança o atingiu em cheio.
"Oh, Brennan, eu já te disse o quanto amo quando você faz isso?"
Ela riu, e era quase como se ela estivesse ao lado dele.
Quase.
"Eu tenho estado apaixonada pelo seus lábios há anos, Booth. Já era tempo de você perceber."
Ele estava indo da sala de operações para o escritório de Hacker.
"Yeah, bem se você tivesse levado isso para um plano mais físico, eu teria notado" ele provocou.
Desta vez, ao telefone, ambos sentiam como se as coisas estivessem melhores, da maneira que devia ser. Era macabro que eles pudessem brincar com a morte circulando-os como um urubu, e essa habilidade de brincar lhes deu a esperança que os dois precisavam.
"... olha, eu vou desligar agora. Fique quentinha, ok? Não vai demorar."
Ela sentia a adrenalina subir. Os dois estavam sentindo a conexão. Pedaços do quebra cabeça estavam se encaixando.
*não vai demorar*
Poderia ser alguém do FBI? Faria muito sentido. Quantas vezes suas chaves ficaram nos bolsos de sua jaqueta enquanto ela estava lá? Quantas vezes Booth deixou a chave dele que ela deixava com ele, à vista? De alguma maneira, alguém teve acesso ao lugar dela e não deixou pistas. E eles sabia do livro. Isso não era coincidência. Trabalhando com Booth, ela aprendeu a acreditar que não haviam coincidências. Booth pensou, tentando se lembrar do livro.
Era a história de um detetive cujos inimigo era outro detetive no local onde eles trabalhavam. Mullins ficou com tanto ciúme das promoções do detetive Carter que ele seqüestrou sua esposa para ele desistir. Mas no final, a esposa morreu. E Mullins também.
*qual era o nome dela mesmo?*
Fazia pouco sentido pra ela. Booth não tinha sido promovido. Muito menos fez qualquer coisa ilícita para tanto. Mas quem quer que fosse Mullins, ele tinha muito ciúmes de Booth. Mas por que? Mas havia esperança agora. Esta era a primeira grande pista no caso. Mas era o suficiente?
Com uma semana ou mais, eles poderiam resolver isto, ela tinha certeza. Mas a vida não ia ser tão generosa com eles desta vez. Ela começou a tremer de novo.
Enquanto a adrenalina baixava, ela percebeu os caminhos medonhos que a esperavam. Se ela dormisse, ela poderia morrer de exposição. Como ela =não= poderia dormir? Estava escuro, e ela não tinha nenhuma distração. Ela estava com fome, e cansada.
E foi nessa hora que Mullins ligou.
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Booth quase bateu com o escritório de Hacker. Kim não estava lá, tendo saído há muito tempo depois do jantar. O FBI todo já tinha ido embora com a noite. Hacker ficou, oferecendo ajuda e acesso.
"É alguém daqui de dentro," ele disse com grande convicção.
"O que?!"
"Joel Mullins é um personagem de um livro que Brennan me deu. Fala sobre um detetive atormentando outro."
"E você acha que isso significa que é outro agente?"
Booth levantou a cabeça ligeiramente com uma expressão que indicou que isso ajustava com o que o perfil dizia.
"Isto não sai daqui, Booth". Hacker ainda estava preocupado de como esta investigação estava agindo sobre ele.
"Eu entendi, e isso vale uma checada. O que você acha?" Hacker acenou com a cabeça. "Alguém pediu para ser trazido para este caso?"
"Yeah, mas isso não é incomum quando um dos nossos está em perigo. Vários agentes se ofereceram. Messier, Germain, Olive, Simms..."
"Nettle..." Booth rodou o nome na mente. "Você conhece um tal de Nettle?"
"Agente Nettle... deixe-me ver... você quer dizer Agente Nettle, que trabalha no colarinho branco? Ele não está neste caso."
"Ele estava aqui hoje de tarde". Ele deu para Hacker um olhar significante. Hacker pegou o telefone. "Aposto que é ele."
"Guarde sua aposta. Vou mandar trazê-lo aqui para algumas perguntas."
"Não, não faça isso. Vamos direto a ele. Brennan poderia estar em algum lugar perto dele... e nós precisamos estar lá para pega-la."
Hacker derrubou o telefone e pegou o casaco dele.
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"Me dê boas notícias, Booth."
Ela ouviu um riso baixo do outro lado.
"Quem é?"
"Agente Nettle, Ed Nettle ".
"Onde Booth está?" ela não tinha certeza, mas a voz do outro lado da linha fez a espinha dela se arrepiar.
"Achei que você gostaria de saber o que está acontecendo aqui em cima. Posso ver seu parceiro dentro da minha casa neste momento." Brennan entendeu. "Me diga uma coisa, Brennan: isso não é frustrante? Tenho certeza de que ele sente a sua falta. Eu tenho vigiado vocês há muito tempo, e sei que vocês dois são a fraqueza um do outro. Como você acha que ele está agüentando tudo isso. Posso te dizer que ele não está indo muito bem. De fato, vou ligar pra ele. Mas não agora. Não sou bobo. Agora que ele sabe que eu tenho você, ele não vai se sentir melhor."
"Por que você está fazendo isto?" ela expirou.
Ele riu silenciosamente ao ouvir a pergunta. "Tenho certeza de que você já entendeu tudo. Mas isso não vai ajudá-lo a te encontrar. Você não vai ser encontrada, e pronto. Você vai morrer bem onde você está. Só então eu vou contar pra ele onde ele pode te achar."
"Por que você está fazendo isso? O que nós fizemos contra você?"
"Não foi você, foi ele. E não é o que ele fez, é o que ele não fez. Millstone, Maryland ".
"Hã?"
"Você me ouviu."
A única conexão que eles tiveram com Millstone foi há três anos quando Hacker pediu a ajuda de Booth com um perfil. Ele ficou no caso uma semana. Era sobre um rapto de uma mulher e de uma menina. O perfil que Booth fez ajudou a encontrar o responsável. Mas não antes dele torturar e matar as duas vítimas, e se matar também.
"Eu não entendo. Qual a sua conexão com aquele caso?"
"A menina era minha filha. Uma filha que a mãe dela levou de mim. O FBI não me ajudou a localizá-la. Eles disseram que isso era para a justiça resolver, e a policial local. E eu consegui achá-la sozinho. Sabe como isso aconteceu? Eu era um balconista, e estava arquivando casos. Eu abri a pasta e lá estavam as fotos. Ela estava morta, simplesmente morta."
"Você não acha que é estranho que seu parceiro parece entender tudo isso tão bem? Mas que ele só se importa com o lixo da antropologia, de ossos? Que desperdício! Então, quando ele poderia ser útil de verdade, ele está fora de prática. Você sabe como isso é injusto? Acho que ele vai se sentir bem mal depois disso, não é?"
"Ed, me escute. Booth fez o melhor que podia. Ele ficou doente por não ter conseguido---"
"Não me diga que ele sente muito! Nem mesmo tente me dizer isso!"
Brennan sentia, pela voz dele, que ele estava profundamente psicótico. Tudo parecia ser algum horrível roteiro de um filme B.
"Você não vai ajudá-la me matando, Ed. Ela ainda vai estar morta e você ainda vai estar sozinho."
"Yeah, mas pelo menos eu vou ter a consolação de que eu não serei o único sozinho."
E com isso ele desligou.Brennan sabia que Nettle só ligou para que ela ligasse para Booth pedindo socorro com mais veemência. Se Ed pensasse que Brennan demoliria com isso, ele não a vigiou por muito tempo. Ela não atendia às próprias emoções, mas mesmo assim ela precisava dar essa informação para Booth. Ela estava tremendo quando empurrou o numero de Booth.
"Booth".
"Booth, sou eu. Nettle me chamou. Ele está em algum lugar perto. Ele está te vendo agora."
Booth correu para a porta da frente, explicando para Hacker o que estava acontecendo, ao mesmo tempo em que saíam para o jardim. Seus olhos procuraram no bairro escuro qualquer carro ou sinais de vida. Tudo estava quieto. Ambos sabiam que era impossível achá-lo numa escuridão como essa, mas mesmo assim eles continuaram procurando.
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Brennan estava cedendo ao medo. Ela queria sair rápido dali.
*Por favor, Deus. Você sabe que eu tenho tentado. Eu sempre te busquei, procurando orientação. Preciso da sua ajuda para me controlar. Não quero pensar em morrer. Ainda tenho tanto o que fazer... tanto... por favor...*
Ela sentiu a frieza na voz de Nettle. E sabia que, mesmo se Booth conseguisse pega-lo, ele não a tiraria do chão a tempo. Ela ainda se agarrou a uma convicção de que ela poderia estar perto da casa dele, e que ele a acharia. Mas ela sabia que Nettle teria certeza dela não ser achada.
Mais uma vez, tudo que ela poderia fazer era esperar.
E tentar ficar quentinha.
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Frustração extrema era o que Brennan estava sentindo. Ele queria ferir alguém ou algo fisicamente. Ele era um rojão esperando por um fósforo. Eles emitiram uma busca para Nettle mas eles sabiam que as chances de encontrá-lo ficavam menores a medida em que o tempo passava.
Eles procuraram na área inteira qualquer pista sobre onde ela estava enterrada. Um time trabalhou na casa, procurando qualquer pista de um local onde ele poderia ter cavado. O melhor que eles acharam foi o fato de que ele tinha alugado uma pequena escavadeira há quatro dias, e que não tinha devolvido ainda. E isso não lhes dava um local.
Booth ligou de volta pra Brennan e perguntou sobre o telefone, mas não falou sobre o que eles estavam fazendo.
Ele estava de volta ao prédio do FBI, trabalhando para encontrar Nettle. Agentes se revezavam para inspecionar Brennan. Ele não podia fazer isso.
Ele tinha que ligar pra ela. Mas a cada vez que ele a chamava, haviam estes poucos segundos de pânico quando ele achava que ela poderia não responder. Ela conseguiu se manter quente durante a noite o suficiente para ficar viva, mas Booth queria saber quanto mais tempo ela agüentaria. Claro que outra noite não seria possível. E ele não se sentia perto de encontrá-la. O sol já estava a meio caminho no céu. Ele precisava ligar, só para se assegurar de que ela ainda estava lá.
O telefone tocou três vezes antes que ela atendesse. Ele não tinha falado com ela desde as seis da manhã, então ele estava mais do que um pouco chocado com a lentidão da fala dela.
"Brennan?"
"Ei... há quanto tempo...." a voz cansada respondeu. Booth sentiu o coração dele caindo até o estômago. Ele pegou o telefone e andou para o corredor. Ele tinha sido pego desprevenido.
Andando pelo corredor, ele procurava uma sala para ter um pouco de privacidade, pois estava tendo dificuldade em se controlar. Ele encontrou um armário de almoxarifado que lhe daria a escuridão que ele buscava.
"Brennan.."
Ela podia ouvir a dor na voz dele. Depois de um período de silêncio, ela falou.
"Tudo vai dar certo, Booth."
A voz dela estava lenta, quieta. Como se levasse todo seu esforço para falar. Ele sabia que ela não estava mais falando sobre ele achá-la. Tudo que ele conseguiu fazer foi cair ao chão, seu rosto se torcendo numa dor emocional.
Ela poderia ouvir seu choro, e lágrimas também correram pelas bochechas dela. Brennan tinha começado a aceitar sua própria morte agora. Ela só queria confortá-lo neste momento.
"Estou contente que você está aqui comigo."
Ele achou a voz para falar.
"Não acabou, Brennan. Não mesmo. Nós vamos te encontrar." ele prometeu, mas ele mesmo sabia que sua voz não tinha muita convicção. Soava mais como se ele estivesse implorando para ela reconsiderar a idéia.
"Booth... não." ela respondeu e procurou em seu coração palavras para dizer pra ele. "Acho que está na hora de começarmos a pensar sobre outras coisas."
"Não, Brennan. Me recuso a acreditar que isso vai acabar dessa maneira", ele disse entre lágrimas e num falso desafio.
Ela respondeu suavemente, lentamente.
"Booth... meu corpo está fraco. Estou indo e vindo no estado de consciência que não pode ser definida como sono. As baterias não vão agüentar muito mais tempo. Mesmo que eu pudesse dizer onde eu estou... até mesmo se você soubesse, não ia dar tempo para você chegar onde eu estou e me desenterrar antes que eu... sucumba. Eu... acho que vou ter que passar o resto do tempo que tenho com você... sem a distração da frustração."
"Não..." a voz dele se quebrou."
"Só com você."
Booth lutou para encontrar palavras que precisava dizer.
"Brennan... eu... eu sinto muito..." e parou de falar.
"Shhhh... não há nada para se desculpar." ela o acalmou. E não falou nada por alguns minutos. "Eu não me arrependo por nenhum minuto passado com você, Booth. Eu não poderia ter pedido um parceiro melhor, ou um melhor amigo." a voz dela estava rouca. Ele pensou e queria poder enfiar a mão pelo telefone e puxá-la para a segurança dos braços dele.
"Por favor não desista de mim. Sempre há esperança, Brennan. Nós vamos achar ele... e vamos te achar."
Ela só acenou com a cabeça.
"Não vou chamar meu pai", e isso foi difícil dela dizer. "Preciso que você diga pra ele meus motivos por não chamá-la enquanto isso estava acontecendo."
"Brennan... pare", ele não conseguia escutar mais nada. E falou com energia renovada. "Você tem que esperar. Eu trabalho melhor na décima primeira hora. Por favor, trabalhe comigo. Isto não vai terminar assim."
Não havia nada que ela poderia dizer pra ele que não causaria mais ansiedade.
"Bem, então é melhor você voltar a trabalhar." ela disse depois de uma longa pausa.
Nenhum deles queria desconectar. Os dois tendo a sensação de que esta poderia ser a última vez que se falavam. Foi Brennan quem finalmente desconectou, se recusando a se despedir.
Ele se levantou, foi para o banheiro e lavou o rosto. Ele não podia olhar no espelho, e então, voltou devagar para a sala de operações. Vários agentes olharam pra ele quando ele entrou. E todos puderam ler o que estava escrito no rosto dele. Era o que estava escrito em seu coração.
"Está na hora de você descansar" Hacker disse em voz baixa. Ele voltou para a sala depois de ter dormido um sono muito necessário no sofá do escritório dele.
Booth nem mesmo se importou em responder. Ele folheou o trabalho que eles fizeram. Nettle não tinha propriedades. Mas ele tinha conexões com doze locais possíveis. Agentes foram enviado para checar cada um deles. Booth e Hacker já tinha feito várias buscas e checando com eles alguma novidade.
E de novo, a única coisa que eles poderiam fazer era revisar tudo que tinham, e esperar um milagre.
= == == == == == == == == == == == == == == == == == == == == == =
*Eu tenho fome pela vida que está sendo tirada de mim. Eu sou uma pessoa. Por enquanto, ainda existo. Tenho uma família. Tenho amor. Tenho necessidade para sentir o toque de mãos amorosas. O que peço a você, Deus, é que eu deixe algo para dar significado a minha vida. Me dê algo para morrer por isso. Me ajude a ser forte. Dê para =ele= força para continuar onde eu não pude.*
Brennan não teve certeza do que aconteceu depois disso. Poderia ter sido um sonho. Mas depois ela iria acreditar que isto foi uma visão, e não uma alucinação.
Ela flutuou sobre o corpo dela, podendo ser ver até mesmo no escuro. O corpo dela parecia calmo, pálido e angelical. O pijama que usava estava sujo e amarrotado. O telefone e sua estranha comadre estava perto dela. Em algum lugar distante, ela poderia ouvir o telefone toando. E ela flutuou acima da terra. Parecia quente, embora ela não sentisse a temperatura.
Ela tinha morrido? Sua mente estava calma e incrivelmente leve. Se isto fosse a morte, ela queria poder compartilhar isso com Booth, este bem estar. Tudo era muito calmo aqui. Era a mesma terra, o mesmo mundo, mas mesmo assim não era. Era como se ela pudesse cheirar as cores e ver os sabores. Ela perfeita claridade.
Ela estava sobre um campo. Ela deu uma olhada para a grama alta, e viu o local onde ela estava enterrada. Era um lugar com terra fresca revolvida.Perto tinha uma escavadeira. Ela ficou no alto da cena. Olhando para o sol, ela viu um arame ao longe. Dentro da área estavam dois caminhões grandes. E de alguma maneira que ela nunca seria capaz de explicar para sua mente científica, ela sabia que algo estava sendo mostrado pra ela.
Enquanto ela subia mais alto, ela poderia ver uma floresta inteira e uma rodovia ao longe. Ela sabia que precisaria se lembrar disso. Milhas pareciam flutuar debaixo dela em segundos. Ela poderia ver jardas e casas e pessoas vivendo seus dias enquanto ela voava. Então, ela se encontrou olhando uma torre. Uma torre estranha, muito alta. A torre tinha um significado que ela não podia entender. Um caminhão vermelho estava indo na direção da torre, e parou na sua base. O motorista saiu, tirou algo do fundo do caminhão e foi na direção da cerca.
*lembre-se* foi a mensagem que sua mente repetia.
Em seu mundo obscuro, tudo correu, e ela estava na sala de operações no FBI. Booth estava de pé, curvado sobre um mapa. Ela poderia ver o rosto cansado. E viu que ele estava se quebrando. Ela estendeu a mão e tocou o rosto dele suavemente. Como se ele a sentisse, Booth olhou. Seu olhar era distante, perdido em pensamento.
Ele acariciou a bochecha que ela tinha acariciado. E Brennan sabia, com certeza, de que ele a sentia. Ela queria falar, dizer alguma coisa pra ele.
*rápido*
Não era a própria voz dela, mas a voz de outro. Alguém dentro dela não estava falando com ela em palavras, mas em conhecimento. Ela olhou para baixo, para o mapa na frente dele.
*Eu estou em algum lugar ao ocidente dele.*
De repente ela estava caindo. Caindo rapidamente.
Ela bateu de volta no corpo e se ouviu inalar. Brennan ficou quieta, pensando que não estava ali dentro antes. Ela sabia que ia ficar viva. Reunindo toda sua última gota de energia, ela pegou o telefone.
"Booth, me escute. Eu não posso explicar como sei isto, mas sei que sei. Só não faz sentido pra mim. Preciso de sua ajuda."
Ele quase perguntou quem era, pois a voz era muito diferente. Estava focalizada, não como há duas horas. Os agentes tinham tentando falar com ela, mas ela não tinha respondido. Sua mente viajou para uma série de horrores de que ela poderia ter cedido. Ele estava trabalhando em piloto automático, ainda tentando pegar o fantasma de esperança.
"Brennan?"
"Eu estou em algum lugar ocidental a você," ela devolveu com convicção.
Booth ainda estava se aquecendo no entorpecimento que acompanhou a realização de que ela ainda estava viva. Ele queria expressar um monte de coisas, mas tentou focalizar no que ela estava dizendo.
"Isso é uma área muito extensa, Brennan. Fale comigo."
"Eu ... eu tive um sonho."
Ele de repente sentiu a esperança ir embora. Alucinações eram comuns para alguém na posição dela. Ele se sentia derrotado e torturado. Fechando os olhos ao seu próprio tormento, voltando para a dor e longe da esperança.
"Me fale sobre isso."
"Eu estava flutuando... sobre um campo... onde tinha uma pequena escavadeira..."
Esperança voltou quando ela falou isso. "Continue falando, Brennan. Me diga o que você viu."
Ela não poderia ter sabido sobre a escavadeira. Ele assinalou para os outros agentes na sala. Hacker parecia entender e chamou vários outros agentes para segui-lo, e Booth estava na frente, com um mapa da área em sua mão. Eles desceram as escadas correndo, pois Booth não queria se arriscar a ficar preso no elevador.
"E então eu vi uma torre. Acho que era um torre de celular.... eu não sei. E um caminhão vermelho parado do lado de fora. Isso tem um significado que eu não pude entender."
Booth entendeu. Muito bem. Nettle dirigia um caminhão vermelho.
"Você acha que isso faz sentido?" a voz dela estava rouca, mas ela ainda falava com força.
Um milhão de pensamentos de negação estavam cruzando a mente dela. Mas ela estava além de qualquer pensamento racional. E não se preocupou como ela sabia o que sabia, mas ela só queria que ele a encontrasse logo.
"Yeah, Brennan, eu acho que faz."
"Eu vi uma rodovia, e ela era movimentada. Uma torre, algumas árvores... droga!" Frustração invadiu a voz dela. "Estava tudo tão claro no sonho, Brennan... Era como... se eu soubesse onde estava. Eu podia ver tudo. Eu estava lá. Enterrada."
Ela parecia quase começar a chorar. Booth não tinha certeza, mas precisava da informação que ela estava dando.
"Brennan, tudo bem, vá devagar. Me diga o que você viu. Desde o começo."
"Uma cerca! Eu vi uma cerca com caminhões estacionados dentro... e era aqui perto mesmo. Isso faz algum sentido?" a mente dela estava passando a visão de novo.
"Nettle está dirigindo uma pickup Ford vermelha de meia tonelada. Tem algo aqui, Brennan. Continue falando." ele entrou no carro de Hacker.
A procissão de três carros saíram do prédio, indo para a área que Booth mostrou. Não havia resposta dela.
"Acho que sei onde você está, Brennan. Fale comigo."
"Brennan?" o telefone estava morto.
"Perdi o sinal". Booth não tinha certeza se ela escutou seus últimos comentários. Ele tentou o número dela de novo, mas só ouviu uma gravação. E Hacker escutou enquanto ele falava. "Kendall, me diga que você tem uma torre por aqui." ele escutou. "Obrigado." e então ele desligou o telefone e falou.
"Tem uma torre em DC a oeste daqui. O pai de Nettle tem uma companhia de caminhões e uma propriedade que pode ser o que Brennan estava descrevendo."
"Descrevendo?"
"Continue dirigindo. Siga para a 270 oeste." eles estavam correndo a mil. Booth queria estar no volante, apesar de Hacker ter acendido a luz vermelha de emergência, e estava ultrapassando todo mundo com uma precisão de um piloto da Nascar.
"Você quer me contar o que ela sabe o que sabe?"
"Ela teve um sonho."
"Você está me dizendo que nós estamos indo atrás de algo que ela sonhou?"
"Não... tinha coisas no sonho dela que ela não poderia ter sabido. Como a escavadeira e o caminhão vermelho de Nettle."
Skinner estava tentando imaginar Brennan dando credibilidade a um sonho. Eles estavam agarrando fumaça no escuro.
"Outro agente poderia ter dado a ela estes detalhes."
O rosto de Booth mostrou que ele tinha pensado nisso.
"E você 'acha' que este sonho é sobre esta área?"
"Bem, é uma dica estudada. O pai de Nettle tem uma propriedade que combina com a descrição, a torre de celular, que aliás está com problemas, e Brennan viu o caminhão dele. Nettle poderia ter ficado frustrado e cortado a ligação da torre. Tudo se ajusta."
Hacker teria que concordar. Este era um enredo para o que ele não pôde esperar veja jogado fora.
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Os olhos de Booth esquadrinharam a jarda, procurando a máquina que diria onde Brennan estava. Ele viu isso ao longe, quase a uma milha de onde o caminhão estava. Esta poderia ser a razão de que os agentes que conferiram a área não viram ele.
Esperança subiu e desceu e então ele viu o caminhão vermelho. Ele saiu do carro antes mesmo que Hacker tivesse parado o carro. Ele apontou a arma para Nettle.
"Parado aí, Nettle, terminou."
Nettle estava perto de um monte de terra. Ele não parecia derrotado. E isso assustou Booth demais. E ele percebeu. Nettle estava de pé do que era quase certo ser onde Brennan estava enterrada. E ele estava segurando uma pá cheia de terra.
"Estou contente por você estar aqui, Booth. Isso é perfeito. Não esperava por isso, mas acho que o destino realmente age de maneiras estranhas." ele parou e olhou para Booth.
Booth tentou calcular se ele poderia atirar em Nettle sem o homem colocar mais terra dentro da abertura. Ele sabia que eles nunca poderiam chegar rápido até Brennan caso isso acontecesse. A terra tamparia o ar.
"Não. É Deus que trabalha assim. E eu não vejo isso acontecendo com você. Terminou, Nettle. Você não precisa ir mais adiante."
"Acho que você não entendeu o essencial aqui, Booth."
"Pare a pá e ninguém tem que morrer."
"Alguém já morreu. E de qualquer maneira, eu estou morto há muito tempo. E você também vai ficar. Veja bem... o governo não ajuda um pai que está tentando localizar sua filha. E com certeza não você, Booth. Eu li o relatório. Se você tivesse pego ele duas horas antes, as duas estariam vivas. Duas horas."
Booth poderia ver terra caindo no tubo da abertura.
"Nada poderia ter mudado as coisas como aconteceram."
"E nada vai mudar o que vou fazer aqui." Com isso, ele inclinou a pá, e seus olhos nunca deixaram os de Booth. E ele provavelmente viu a bala que veio para ele.
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A escavadeira trabalhou tão depressa quanto possível. Booth agradeceu aos céus que um dos agentes do escritório trabalhou antes numa firma de estradas e sabia como operar uma escavadeira. Enquanto o buraco ficava maior, Booth tinha o desejo de pular dentro e continuar cavando à mão. Ele andava de um lado para o outro, ao lado do buraco.
Os paramédicos já estavam esperando. Nettle estava a caminho do hospital. Booth queria ter ajudado a piorar a situação dele. Só de um jeito que um médico não poderia ter gostado muito.
A escavadeira bateu em algo sólido. O grupo de agentes se aproximou, olhando para o buraco. Eles poderiam ver o topo do caixão de metal. Não ia demorar mais. Dentro de minutos, Booth pulou dentro do buraco e arrancou a pesada tampa. Ele entrou na caixa.
Brennan não estava consciente. Ele nem mesmo tinha certeza de que ela ainda estava viva. Ela estava enrolada como uma bola, deitada de lado. Seu rosto estava cinzento. Seus lábios, azuis. Ela parecia tão minúscula ali na caixa que tinha se transformado em seu caixão. Booth não podia ver nenhum sinal de vida. Ele chegou até ela, incapaz de acreditar no que via.
"Brennan?" ele procurou um pulso. Era fraco, e ela quase não respirava.
*outros dois minutos e...*
Ele a virou de costas e procurou sinais de vida. Ele abaixou a boca contra a dela, empurrando ar em seus pulmões. E ele poderia ouvir Hacker latindo ordens sobre ele. Um paramédico apareceu ao seu lado de repente, dentro do buraco, e conectou uma mascara com um ventilador. Ele tirou Booth do caminho e colocou a máscara na boca dela, empurrando o ar com mais força.
"Será que alguém pode jogar uma manta aqui?!?!" Booth gritou pra cima. Hacker retransmitiu o recado e então, alguns segundos depois, a manta veio.
"Vamos lá, Brennan, você vai conseguir". Ele segurava um pulso dela, tentando segurar sua vida. O paramédico tirou a máscara dela. Ela estava respirando mais facilmente. Ele pegou uma lata de oxigênio e colocou a máscara no rosto dela.
"Brennan?" ele poderia ver os olhos na mínima abertura das pálpebras. E soltou um suspiro longo de alívio.
Ela lhe deu um sorriso fraco. Seus lábios se moviam lentamente. Booth tirou a máscara e se curvou para escutá-la."
"Em qualquer lugar, menos no Beefeater, Booth ".
Ele sorriu de volta.
Qualquer lugar que você quiser, Brennan.
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FIM

2 comentários:

  1. Oi,gostaria de saber se é algum episodio de bones ou foi vc que criou,se for vc que criou parabéns pois ficou otimo adorei o texto.

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  2. Olá Regiane, não é de um episódio de Bones, mas também não fui eu quem criou a fanfic, a autora é a Ellen, e eu publico fanfics dela aqui no blog =) Muito Obrigada pelo elogio, espero que continue sempre conosco *-*

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