Páginas

domingo, 2 de setembro de 2012

[Castle fic] "If Only"

Título:IfOnly
Autor: Amanda Macuglia
Categoria: 3x24, angst
Advertências: Spoiler?
Classificação: PG
Capítulos: 1 (oneshot)
Completa: [X] Sim [ ] Não
Resumo: “Sua consciência manda você resistir, mas seu corpo cansado desfalece sem que possa evitar.”
Fic dedicada a(o) amigo(a): Just For Stana



Seus lábios se abrem para proclamar palavras que lhe escapam ao vento. Seus princípios enfraquecidos lhe cobram uma atitude; cobram-lhe um movimento que mostre ao homem a sua frente que esta tudo bem, que você ira ficar bem, mas esta é uma preposição incerta demais para ser pronunciada. 

Os ouvidos tentam entender as palavras que lhe são proferidas. Sua mente se força a acompanhar os acontecimentos na medida em que se desenvolvem. Mas o universo parece parar para assisti-la morrer. Nada se move. Tudo a sua volta torna-se turvo e insignificante.

Os olhos pesam e o coração já bate fraco.De tanto que bateu a vida inteira. De tanto chorar amor e fracassos. De tanto sofrer pelas decepções que lhe assombram os sonhos. E este mesmo coração que antes fora despedaçado e sangrara por dentro, no silêncio de sua consciência, agora jorra o mesmo liquido viscoso e avermelhado para fora. A ferida tornara-se real.

Sua mão se ergue na tentativa de tocá-lo, mas embora tão perto, o homem parece longe demais para que ela possa alcança-lo. Sabia que uma das mãos dele estava ao lado de seu corpo, enquanto a outra apoiava sua nuca para mantê-la erguida; obrigar seus olhos a focarem-se nos azuis que a fitavam, sem conseguir desconectar a força que os uno, a única força que mantem os seus ainda abertos. 

Desejara poder senti-lo mais uma vez. E o desejo fora aumentando à medida que sua vida escapava-lhe a cada fraca batida de seu coração. Mas no momento não tinha sequer condições de sentir algo. Seja dor ou cansaço. Seja medo ou desespero. Seja a esperança que vê brilhar nos orbes azuis. Porque sentir dá trabalho e trabalho acarreta uma série de responsabilidades. Só que responsabilidade não aqueceram seus pés nos dias frios, não a trarão de volta caso parta. Não, responsabilidades causam culpa. Culpa causa arrependimento. E ela tinha tantos arrependimentos agora. Tantas coisas que lhe passavam pela mente.

Uma voz soa no seu ouvido lhe lembrando de todas as pessoas que a amavam e que ela deixaria para trás. E essa voz não a deixa esquecer a dor que causará nos seres que lhe importam. Só para confirmar ainda mais seu sofrimento, a mesma voz diz que a ama. Não, ela nunca ouvira isso dele antes. Não era uma lembrança. Estava acontecendo, ali, agora. Era o som que lhe soara anteriormente, implorando para que ficasse, para que não fosse embora. A mesma voz. A mesma pessoa. Para ela, a única pessoa. 

De repente, tudo que não sentira antes, se apossa de seu corpo, ocupando cada pequeno milímetro. Sente o calor de mãos masculinas ao mesmo tempo em que um frio fazia seu corpo tremer descontroladamente. Sente a dor rasgar seus músculos. Sente uma vontade louca de gritar, mesmo que a voz esteja lhe faltando. E, por fim, sente-se cansada. Cansada de tudo. Sua mente novamente lhe cobra alguma coisa; qualquer coisa. Mas seu corpo e alma optam por desistir. Seus olhos se fecham, sua cabeça pende para trás sobre a mão firme do parceiro. Ele não consegue mais mantê-la erguida. Ele não consegue mais mantê-la vida. A imagem do homem se desfoca a sua frente e uma lágrima escorre pelo canto de seus olhos, sem que perceba que estar chorando. E ela adentrara a escuridão, tornando-se apenas um dos tantos vultos que padecem a noite. Torna-se o mártir do silêncio, sendo ocultado somente pela própria voz que repete em seu ouvido: If only...

The End