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terça-feira, 31 de julho de 2012

[Castle fic] Putting the pieces together - Traduzida cap. 5


Capítulo 5

Kate entrou sorrindo no hotel com algumas sacolas. Tinha comprado mais do que imaginava. Mas não se arrependia. Tudo tinha uma razão...

Tirando alguns de seus pertences pessoais da mala começou a se preparar para o jantar. Tinha que impressioná-lo e, embora soubesse que antes teria sido fácil, desta vez não era tanto... Ou pelo menos assim ela pensava...

Quando ela estava pronta e viu seu reflexo no espelho, sorriu com satisfação. Queria Rick ao seu lado para ajudá-la a se lembrar... E isso ajudaria...

Ela deixou o hotel e caminhou os poucos quarteirões até a livraria. Ficou do lado de fora por um momento, enquanto os últimos clientes tinham seus livros assinados. Ele observou-o, ele olhava o relógio ocasionalmente, e Kate ficou impressionada com a ideia de que ele estava contando os minutos para encontrá-la, assim como ela estava fazendo...

Quando havia apenas duas pessoas, Kate não pode suportar a pressão e entrou. Assim que cruzou a porta de vidro, as pessoas que estavam no local, até mesmo alguns que apenas compravam livros de outros autores, se viraram para olhá-la.

O vestido que ela tinha escolhido não era chamativo. Ela era chamativa. E isso se acentuava pela roupa que estava usando. As longas pernas pareciam mais infinitas do que nunca. Os saltos, altíssimos como sempre. O vestido não era curto nem longo, chegava até os joelhos e era negro. Encaixava-se em seu corpo, mas não como uma meia. O impacto visual ficava por conta do decote, que embora não muito pronunciado, salientava as suas "virtudes" e, aparentemente, era isso que as pessoas estavam apreciando ao olhá-la.

Seu cabelo estava solto, caindo um pouco abaixo dos ombros, ondulado, quase como sempre, mas em conjunto com a maquiagem perfeita formava um quadro que também atraía a atenção.

Rick seguiu com o q estava fazendo, sem se dar conta de sua presença. Mas quando ele olhou para cima, incomodado pelo silêncio que a entrada de Kate tinha causado, suspirou e a olhou como se ele jamais a tivesse visto.

Kate sorriu imperceptivelmente e piscou-lhe à distância. Rick tentou se concentrar novamente no que ele fazia, mas de vez em quando seus olhos o traiam e observavam-na bisbilhotando os livros que estavam à venda.

Foram apenas cinco minutos, mas para ambos pareceram horas. Quando finalmente terminou de assinar o último livro, Rick lentamente se aproximou dela, sem saber o que lhe diria. Mas ele sabia que seus olhos se encarregariam de compensar sua falta de palavras...

Ela virou-se, de alguma forma consciente de que ele estava se aproximando. Seus olhos se encontraram e ela corou um pouco. Apesar de tudo se sentia exposta.

Rick abriu a boca para falar, mas nesse momento uma mulher aproximou-se e falou com eles.

-Desculpe-me... Você é a detetive Beckett? - Ele disse com um sotaque francês.

-Sim... Eu sou... - disse Kate.

-Você se importaria se eu lhe pedisse para assinar a minha cópia do livro? O que mais eu poderia querer além de ter a assinatura do autor e de sua musa? - Disse e sorriu.

-Tem uma caneta aí? - Kate disse baixinho para Rick.

-Aqui... - disse entregando a ela e ambos sentiram a eletricidade tão logo seus dedos se tocaram.

Kate sorriu e assinou a cópia do livro para a senhora.

-Foi um grande prazer conhecer os dois... - disse a mulher sorrindo - Fazem um belo casal... - acrescentou e saiu, deixando-os sozinhos.

Kate mordeu o lábio e sorriu, tentando não olhá-lo. As pessoas costumavam se confundir e pensar que eles eram um casal, mas este comentário tinha chegado na hora certa...

- Como foi seu dia? - Rick perguntou enquanto olhava para ela.

-Muito bem... Apesar que eu senti um pouco a sua falta... - admitiu.

-Vejo que você foi às compras... - ele disse e seus olhos pousaram sobre os dela.

-Isso mesmo... - tentou segurar seu olhar.

-E acredite, cada centavo que você gastou foi justificado... - ele disse e ela sorriu.

-Esse é o seu jeito de dizer que gostou da minha roupa?

-Você está linda... Mais do que nunca... – ele disse percebendo o que ela esperava.

-Assim está melhor... - ela disse e sorriu.

-Vamos? - Disse oferecendo seu braço.

-Vamos... - ela quase colou seu corpo ao dele para caminhar e saíram.

Eles pegaram um táxi que os levou a um bom restaurante mais afastado. Ainda era um pouco cedo, então eles não estavam cercadas por pessoas. Comeram calmamente enquanto Kate lhe contava o que tinha visto da cidade.

Quando saíram caminhando, ela pegou sua mão entrelaçou seus dedos com os dele. Rick se sentiu um pouco desconfortável no início, mas depois relaxou.

- Quer voltar para o hotel? - Ela perguntou.

-Sim, claro... - disse ele.

- Você está cansado?

-Não tanto, por quê? - Ele perguntou.

-Eu queria saber se você não se importa se nós falássemos sobre a outra noite...

-Pode ser... - ele disse e ela sorriu.

Um táxi levou-os para o hotel e ela aproveitou a oportunidade para apoiar sua cabeça no ombro dele. Rick sorriu imperceptivelmente. Embora não fosse o que ele esperava no momento, ficou satisfeito que Kate se comportasse assim com ele... Finalmente...

Chegando ao hotel, Rick tirou o casaco e a viu olhando pela janela, absorvida pela vista. Aproximou-se e parou atrás dela, sem tocá-la.

-É uma bela cidade, não acha? - disse ela notando a proximidade.

-É mesmo... - disse ele e ela se inclinou para trás, apoiando as costas contra seu peito.

Rick queria manter suas mãos junto ao corpo, sem reagir, mas não conseguiu. Timidamente segurou a cintura dela e descansou suas mãos ali.

-Conte-me sobre a outra noite... – disse quase em seu ouvido, virando a cabeça ligeiramente.

- Por que o desespero? - Ele perguntou.

-Porque foi a nossa primeira vez... Para mim é importante saber como foi...

-Não foi nada diferente...

-Isso não pode ser verdade... Por favor, Rick, não me torture mais... Acha que me faz feliz pensar que eu posso ter dito coisas que não me lembro?

-Talvez você não se lembre porque elas não são verdadeiras... - disse ele.

-Tudo bem... - disse ela, se afastou olhando-o e colocando uma mão diante dele pra detê-lo - Percebi que não se importa com o que eu sinto, ou com o fato de eu ter vindo até aqui... E agora eu entendo o que aconteceu... Apenas nos demos prazer, não?

-Se é isso que você acha...

-Não... Não é isso que eu acho... - disse ela e colocou as mãos em seus ombros, olhando-o de perto - Acho que você morre por mim, assim como eu morro por você... - ela disse sobre seus lábios.

-Você gosta de me torturar, não? - Ele disse em uma respiração ofegante.

-Eu só quero saber o que é que eu fiz para te deixar com tanta raiva...

Rick não disse nada, apenas sentiu algumas lágrimas nos olhos.

-Você quer saber? – Ela acrescentou enquanto provocava-o, chegando quase ao ponto de tocar seus lábios - Talvez eu não me importe mais em lembrar o que aconteceu... Talvez, seria melhor voltarmos a fazer amor e eu juro que eu poderia me lembrar de cada segundo...

-Kate... Eu disse que preciso de algum tempo... - balbuciou ele, sua mente era a única que a rejeitava, seu corpo tinha, evidentemente, decidido aceitar a proposta de Kate.

-Apenas... – disse em voz baixa e sexy, mordendo o lábio - deixe-me saber quando você estiver pronto...

[Castle fic] Putting the pieces together - Traduzida cap. 4


Capítulo 4

Rick olhou para ela sem saber o que dizer e Kate sentiu que de alguma forma havia cometido um grande erro...

-Rick? - Tentou, queria saber se ele estava respirando.

"É... é uma longa história, Kate... e se você não se lembra do contexto... Eu não acho que vale a pena explicar... - ele disse e sacudiu a cabeça.

-Rick... eu preciso saber...

-É que...

-Tudo bem... Não vamos falar do anel... Me conte sobre aquela noite... - disse Kate desesperadamente.

- Podemos deixar isso pra amanhã? Estou realmente exausto, Kate... - Rick disse e se levantou.

Kate suspirou e fechou os olhos brevemente, em sinal de rendição. Morria de vontade de se lembrar, mas sem a ajuda de Rick, seria impossível... Precisava dele ao seu lado... E estava disposta a obtê-lo.

Ele se levantou e se aproximou dele, que se esticava nervosamente. Ele ficou na ponta dos pés, obviamente a diferença de altura sem o uso de saltos era um pouco maior, e beijou a bochecha dele com ternura. Era tudo que ela desejava fazer. Sabia que ele se distanciaria e estava de acordo com isso, mas não queria perder a oportunidade de seduzi-lo um pouco...

Rick se sobressaltou um pouco com a atitude de Kate, mas mais com a sua própria, quando a envolveu com seus braços e abraçou-a, olhando em seus olhos.
-Preciso de tempo, Kate... agora eu sou eu que preciso disso... - disse ele olhando para ela com sinceridade.

-Tudo bem... - ela disse e sorriu levemente. Rick beijou a testa dela e ela fechou os olhos diante do contato. Por um momento ela foi transportada para outra noite... E sentiu a mesma sensação de quando Rick a abraçava, pele contra pele, em sua cama...

-Boa noite, Kate... - disse ele, alheio aos seus pensamentos.

-Boa noite... - repetiu ela e mordeu o lábio se perguntando como seria... como seria descansar a cabeça no seu peito e sentir o seu coração acelerado, logo após fazer amor...

Kate virou-se para a cama. Observou-o ir em direção ao sofá. Perguntou-se se ele interpretaria erroneamente caso ela se oferecesse para dividir a cama... E decidiu arriscar.

-Rick... Você não tem que dormir desconfortavelmente no sofá... Se te incomoda compartilhar a cama, amanhã mesmo me mudarei para outro quarto... Está cansado, não posso deixar você dormir aí...

-Não se preocupe...

-Vamos fazer alguma coisa... Me deixe dormir aí então...

-Não, esqueça...

-Então venha aqui e se comporte como um adulto... Vou me comportar... Prometo... - ela disse e levantou a mão em juramento, sorrindo.

Rick pareceu duvidar por alguns segundos e, em seguida, caminhou lentamente, como se precisasse reunir a coragem para dar esses passos ou pelo menos inventar uma desculpa...

Kate se acomodou ao seu lado e depois apagou a luz. Quando ouviu a respiração audível percebeu que ele estava dormindo. Kate suspirou e aproximou-se dele, não queria quebrar sua promessa, e embora ela morresse de vontade de se enrolar em seus braços, contentou-se apenas em sentir seu calor...

No dia seguinte, quando Rick abriu os olhos sentiu o cheiro de Kate envolvendo-o e colocou-se em alerta.

Kate estava de costas, muito próxima e ele tinha moldado seu corpo ao dela. Sua mão livre estava descansando em seu abdômen, por baixo do pijama dela e ele tinha começado a sentir a pressão de seu desejo matinal na parte inferior das costas de Kate.

Rick queria sair daquela posição que não era nada desconfortável, mas era perigoso... Nada mais... E nada menos... Mas a pele de Kate sob seus dedos era tão suave, tão quente... Tão perfeita que ele não poderia sequer tentar.

Quase sem perceber, Rick deslizou seus dedos para cima e a ouviu suspirar. Ele queria acariciá-la, queria ouvir todos os sons que o seu toque provocava nela. Como naquela noite... Ele queria memorizar cada centímetro dela, queria beijá-la e ouvi-la implorar-lhe para não parar...

Mas também queria que ela lembrasse... De tudo, de cada segundo e voltasse a escolhê-lo, embora ela não o tivesse feito totalmente naquela noite... Talvez por causa dos comprimidos, talvez por causa do álcool... Talvez ambos...

Rick respirou fundo e quando estava para soltá-la, ela o surpreendeu virando-se e apoiando a cabeça em seu peito, suspirando no processo...

Rick carinhosamente a abraçou e fechou os olhos, ainda podia dormir mais um pouco...

Uma hora depois, Rick abriu os olhos e encontrou-se com Kate olhando para ele com ternura. Evidentemente ela havia se soltado de seu abraço, porque seu rosto estava perto, mas seu corpo estava um pouco afastado e não se tocavam...

-Ei... - sussurrou e sorriu - Conseguiu descansar?

-Sim... Pra falar a verdade, sim... - ele disse e sorriu um pouco.

-Acabei de pedir o café da manhã... Você tem tempo para comer alguma coisa?

- Que horas são? - Ele disse tentando se conectar com a realidade.

-8h...

-Acho que tenho um tempo... - ele disse e se levantou.

-Bem... - ela disse e seguiu-o ao redor da sala, enquanto ele estava procurando o que vestir para ir à livraria...

- O que você vai fazer?

-Não sei... Se você quiser eu posso ir com você... - disse ela mordendo o lábio, adorava a ideia de passar um dia inteiro olhando para ele enquanto ele fazia seu trabalho.

-Você ficaria entediada... Por que você não vai dar uma volta na cidade? Ele sugeriu ao ver expressão desnorteada que ela fazia - É uma bela cidade, Kate... e eu prometo que se você vier me pegar às 6, vou te convidar para jantar em um lugar agradável ...

-Bem... tudo bem, então... - ela disse e sorriu.

Tomaram café da manhã assistindo ao noticiário e conversaram preguiçosamente. E quando chegou o momento de Rick ir, Kate arrumou o colarinho de sua camisa e o olhou de perto.

-Acho que vou sentir sua falta... - ela disse baixinho, timidamente - Tenha um bom dia... – acrescentou e beijou sua bochecha lentamente, tomando um tempo para sentir seu perfume e mantê-lo em seu nariz o máximo possível.

-Aproveite o passeio... Nos vemos às 6... - disse ele e beijou-a de volta, sorrindo com algum desconforto.

Depois que Rick saiu, Kate pulou na cama sorrindo. Uma ideia acabara de cruzar a sua mente. Iria conhecer a cidade, e também fazer compras...

[Castle fic] Putting the pieces together - Traduzida cap. 3

Capítulo 3


Poucas vezes havia estado em Montreal, mas nenhuma delas havia sido tão sombria. O lugar era muito bonito, a equipe era fantástica, a editora de seu livro havia feito de tudo para que ele ficasse bem e confortável, inclusive haviam lhe oferecido companhia feminina, e claro, ele havia negado... Seu corpo podia estar em Montreal, mas sua cabeça e seu coração haviam ficado em Nova York...

Apesar do que ele desejava...

Embora pudesse estar ali com Kate... Passando alguns dias com ela, afastados das pressões do trabalho... Ainda por cima com ELA... Para poder explorar em profundidade, juntos, o inicio de sua relação.

Enquanto caminhava pela rua, nas poucas quadras que o separavam da livraria onde autografaria seus livros hoje, pensou no anel... Esse anel que ele havia escolhido com tanto amor e cuidado para Kate... "Tem que ser o anel perfeito para ela", ele havia dito para seu amigo que estava lhe vendendo o anel. "A terceira é de vez, Rick?" O homem lhe perguntou "Ah, sim... ela é a mulher da minha vida!". Rick baixou a cabeça e suspirou pensativo. Por que ele havia se apaixonado por uma mulher tão complicada???

"O coração tem razões que até mesmo a razão desconhece" Lembrou ter ouvido isso dos lábios de sua mãe uma vez.

Uma multidão cumprimentou-o à porta da livraria, havia se formado uma longa fila para os autógrafos do livro. Rick sorriu como pôde e foi para seu assento.

Enquanto autografava, ele não conseguia parar de pensar nela. Sentia sua presença em todos os lugares, mas estava zangado, muito zangado com ela. Parecia que toda vez que avançavam um passo, retrocediam 10...

Rick fechou os olhos brevemente e lembrou-se do momento exato em que, enquanto eles faziam amor, ela disse que o amava... Seu coração se contraiu de dor. Talvez ele tivesse agido precipitadamente. O fato é que ela já havia mentido uma vez e agora ele estava em seu direito de não confiar nela... Além do mais... Sempre que as coisas ficavam difíceis, ela apelava ao recurso do esquecimento ou ocultação, e Rick estava cansado disso...

As horas passavam lentamente e Rick fazia o seu trabalho tentando se concentrar.

Uma voz o sobressaltou, e quando ele olhou para cima, se encontrou com o olhar intenso de Kate, que sem sucesso tentou sorrir. Seu coração começou a bater tão rápido que agradeceu por estar sentado...

-Basta escrever "para Kate”... Sei exatamente o que você sente... Embora seja bom escutar de vez em quando... Principalmente agora... – lhe disse e mordeu o lábio, ela queria pular em seus braços, mas, aparentemente, Rick ainda tinha muito trabalho a fazer.

-O que você está fazendo aqui? - Ele disse, fechando o livro sem assinatura.

-Eu preciso de você, Rick... - ele disse calmamente.

-Eu estou com raiva, Kate... - ele disse e entregou-lhe o livro.

-Vamos conversar, por favor... - ela insistiu.

-Eu estou ocupado... Você não vê? - Disse gesticulando com as mãos.

-Vou esperar lá fora... - ela disse e caminhou até a porta. Rick a seguiu com os olhos e soltou um suspiro que ele estava segurando...

Não soube o que pensar... E de novo teve que sorrir quando a fila continuou a avançar ...

Uma hora depois, quando o último fã retirou-se com seu livro autografado, Rick saiu lentamente, quase com medo de não encontrá-la. Mas ela estava lá, em um canto, olhando para longe, esperando, como na outra vez.

Mais uma vez, Rick sentiu o pulso acelerando à medida que seus olhos a percorriam em uma exploração calma enquanto se aproximava dela.

Quando ela percebeu sua presença e o olhou, não pôde deixar de sorrir.

-Bem... Estou te ouvindo... - ele disse sem parar e ela teve que correr para acompanhá-lo.

-Por que não vamos comer alguma coisa? Estou morrendo de fome...

-Onde você está hospedada?

-Eu não tenho hotel... Eu vim com pressa e não fiz reservas... - disse um pouco corada.

-O que você vai fazer se ele ficar muito tarde e você não conseguir encontrar um lugar? - Insistiu ele.

-Eu realmente não me importo muito... Só... Só queria ver você, Rick...

Enquanto conversavam, chegaram à porta do hotel e Rick parou.

- Você gostaria de perguntar se há algum quarto disponível? - Ele propôs.

- E se você me deixar ficar com você? - Ela perguntou em voz baixa, com alguma timidez.

-Eu não vou dormir com você, Kate... Eu lhe disse que o que tínhamos devia terminar...

-Mas... – ela tentou.

-Agradeço por ter vindo me ver... Eu acho que eu teria feito o mesmo, não gosto de estar mal com você... Mas só isso... - disse ele.

-Não temos que dormir juntos... Só dividir um quarto... Por favor... Não quero estar sozinha, Rick... - ela implorou.

-Percebeu tarde, Kate ... - disse ele e ela engoliu em seco desconfortavelmente.

-Escuta... Eu sei que eu mereço que você feche a porta na minha cara... E eu também sei que, embora eu não tenha feito de propósito, você tem direito de desconfiar... Mas eu preciso de uma chance... Eu preciso conversar... Preciso que me ajude a lembrar... Eu preciso... Eu preciso de você, Rick... - ela disse com lágrimas nos olhos.

Rick olhou para ela um pouco duvidoso por alguns segundos, e percebeu que ainda que estivesse irritado, se importava com o fato dela não ter onde ficar e com o que ela queria lhe dizer... Enfim, se importava com Kate...

-Tudo bem... Você pode ficar esta noite... Tem passagem de volta?

-Eu pensei em ficar com você até o fim de semana... - disse olhando-o com intensidade.
Rick balançou a cabeça e suspirou antes de entrar no hotel.

Rapidamente passou pela recepção e pediu suas chaves. Um funcionário pegou a mala de Kate com um sorriso e levou-os para o quarto.

-É um prazer conhecê-la, a Sra. Castle... - ele disse antes de sair e Kate corou sem desmenti-lo.

-Obrigado, Mike... - Ele disse, também sem desmenti-lo.

Eles entraram em uma espaçosa suíte, que tinha apenas uma cama de casal. Kate mordeu o lábio quando imagens de seu despertar ao lado dele a assaltaram.

-Fique à vontade... eu vou pedir algo para comermos... - disse ele sério. Kate pegou algumas coisas em sua mala e foi ao banheiro.

Logo, Kate saiu do banheiro, vestindo um pijama de seda lilás, claro que não era nada sexy, tinha feito bem em levá-lo, o que eu queria era provocar... Tinham muito que conversar antes...

-Eu vou tomar um banho... Foi um dia longo... - ele disse e foi ao banheiro.

Kate ficou assistindo TV até que ele saiu do banheiro, com um pijama de algodão azul.

Eles se olharam com nervosismo, a situação era estranha, mas ela se afastou para que ele se deitasse ao seu lado para assistir televisão. Ele pareceu meditar alguns momentos e quando ele se aproximou, bateram na porta.

O jantar transcorreu pacificamente, ninguém falou de nada em particular, ela perguntou a ele sobre o trabalho e disse-lhe que seu trabalho estava muito tranquilo.

Quando terminaram, Kate levou o guardanapo à boca e sorriu.

-Fazia tempo que eu não comia tão bem... - ela disse e ele olhou, ausente.

Kate se levantou de sua cadeira e se sentou na cama. Os olhos de Rick a seguiram.

-Preciso de sua ajuda, Rick... – disse, e quando ela teve certeza de obter a sua atenção continuou - Lanie me disse que aqueles comprimidos em quantidade, ou misturados com álcool podem causar perda de memória.

-É por isso que você não queria vinho... - disse ele pensativo.

-E mesmo assim eu tomei...

-Porque eu insisti...

-Rick... - ela disse, levantou-se, agachou-se ao lado dele e segurou sua mão - Eu sei que menti uma vez, mas eu juro que esse não é o caso... Por favor, me ajude Rick...

-É que... - disse num sussurro - Te sinto estranha, distante, Kate... Você não era a mesmo na outra noite... - disse olhando diretamente em seus olhos.

-Eu não consigo lembrar de nada... Mas se eu conseguisse, eu acho que as coisas seriam diferentes, você não acha? - Apertou a mão dele -Por favor, Rick...

- O que você quer saber?

-Eu quero saber... - disse ela, tirou o anel da sua mão e mostrou-o – O que significa isso? - Kate estava surpresa que tão meticuloso como ele era, não houvesse notado que ela estava usando-o...

Rick engoliu em seco e olhou para ela com surpresa. De repente, tudo voltou a ficar complicado...



segunda-feira, 30 de julho de 2012

[Castle fic] Stealth - Traduzida cap. 1


                                              
Título: Stealth (Descrição)
Autora:  deadgirlwalkingthehalls ( autora do site: fanfiction.net)
Categoria: NC-17 (M) 
Advertências: Contém cenas de sexo.
Capítulos: 8

Traduzida por: Ana Botelho.
Resumo: Castle e Beckett tentam esconder seu relacionamento de sua família e amigos. Como? Começa a partir da manhã após (4x23 - always)

                                                                     Capitulo 1 :)

   Kate acordou lentamente, estendeu seus membros sentindo pontadas de dor em todo seu corpo. Ela virou de frente e esticou seus braços para o lado. Sua mão entrou em contato com algo quente e ela rapidamente puxou-a para trás, em choque. Sua mente entrou em pânico quando ela estantaneamente pensou "Deus! O que eu fiz? Como eu poderia ter dormido com alguém?". Ela sentiu o corpo quente ao lado  se aproximar, envolver a mão em volta da sua cintura e esfregando o polegar para cima e para baixo na parte inferior do seu peito. Ela manteve os olhos firmemente fechados enquanto ela sentia a pessoa ao lado dela empurrar o cabelo longe de suas costas e beijar seu ombro suavemente. Aquele cheiro. Ela conhecia aquele cheiro. O homem pressionou um beijo em sua tempora e ela sentiu o hálito quente em seu rosto. De repente, tudo veio à tona. Castle. A briga, seus musculos doloridos, a chuva, o balanço-em-conjunto, aparecendo em sua porta, ela o beijou, ele a beijou, e o sexo, como ela poderia esquecer o sexo?
   Ela relaxou o corpo no colchão e a mão que estava em sua cintura mudou-se para as costas, e ela sentiu ele traçando letras com seus dedos. Seu toque delicado enviou um arrepio na espinha dela, mas ela ainda manteve os olhos fechados, aproveitando a felicidade da manhã de estar envolvida na cama do Castle. Castle entretanto estava gostando de ver a detetive fingir que estava dormindo. Ele começou a escrever-lhe uma mensagem. A letra "Eu" ficou em primeiro lugar, em seguida, "S" até que ele tinha enunciado "eu sei que você está acordada." Ele olhava com um sorriso no rosto quando ela tentou não sorrir. Ela abriu os olhos lentamente para ver Castle repousando sobre um cotovelo olhando para ela.
 "Você sabe que é meio estranho quando você me ver dormir", ela resmungou para fora, meio grogue, com a voz ainda adormecida.
"Eu estava simplesmente maravilhado com o quão bem você se adequa a minha cama, minha querida detetive" ele sorriu para ela. Ela virou de costas e se esticou mais uma vez, sem se preocupar em puxar o lençol que estava perigosamente de baixo de seu estomago e sorriu para ele. Ele suspirou, enquanto ela assistiu seus olhos percorrerem o corpo dela antes de força-los a se concentrar em seu rosto que estava naquele momento, vermelho. "Bom dia," disse ele suavemente, inclinando-se para beijá-la delicamente quando ele a sentiu suspirar em sua boca no momento em que seus lábios se encontraram.
"Mmm" ela cantarolou, contra os seus lábios. "Bom dia," ela respondeu timidamente. Seus olhos passaram novamente pelo corpo dela e então voltaram para seu rosto que mais uma vez estava em um tom de rosa. Seu cabelo estava encaracolado e bagunçado da chuva da noite anterior e ela imaginava que tinha rímel borrado debaixo dos seus olhos. Tudo somado, ela poderia estar melhor. Ela olhou para a cara de Castle para ver seus olhos brilhando com tal adoração e amor antes de morder entre os dentes e aproximando-se dele até que ela pudesse enterrar a cabeça na curva de seu pescoço. Ele pode sentir o hálito quente dela em seu pescoço e a agitação dos seus cílios em sua pele enquanto ele embalava o corpo quente dela ao seu, suspirando satisfeita. "Eu não fui embora", ela sussurrou em seu pescoço enquanto ela se aconchegou o mais perto dele possível. Richard Castle olhou para a bela mulher em seus braços e riu para si mesmo, ele nunca pensou que Kate Beckett seria tão carinhosa. Ele descansou a cabeça em cima da dela e soprou em seu cabelo. Cerejas.  Isso era tudo que precisava ser dito. Ela não foi embora, ainda estava aqui; ela não fugiu. Ela sentiu ele dirigir seu pé para baixo da panturrilha dela e deslizá-lo entre suas pernas, até estarem emaranhados da cabeça aos pés.
   Claro, o estômago dela tinha que estragar o momento. Ele soltou um alto resmungo e ela soltou uma risada, fazendo cócegas no pescoço.  Ela levantou a cabeça para olhar sonolenta em seus olhos, seu rosto sorridente. "Alguém está com fome. Quando foi a última vez que você comeu alguma coisa? "Ele disse, movendo uma de suas mãos para descansar em cima de seu estômago.
   Sua respiração prendeu quando o dedo mindinho dele passou pela borda do seu osso ilíaco e, em seguida, mergulhou perigosamente para baixo.
"Eu não me lembro", disse ela timidamente. Ela puxou o lábio entre os dentes, temendo que ele estivesse com raiva dela. O rosto dele se transformou em uma careta enquanto ele movia o dedo para o lábio dela, puxando-o para fora dos dentes.
"Kate", disse ele, ainda franzindo a testa. "Você precisa se cuidar corretamente. Eu me preocupo com você", ele disse baixinho, desviando o olhar. As mãos dela foram em torno de suas bochechas e puxaram a cabeça dele para que ficassem cara a cara.
"Eu sei. Sinto muito Rick. É que colocar-me em primeiro lugar não é algo que estou acostumada, mas estou tentando. Eu prometo. Vou tentar ... "ela não conseguiu terminar a frase antes que ele a cortou com um beijinhos, passando o lábio inferior com a língua enquanto sua boca se abriu de boa vontade, concedendo-lhe o acesso.  Ele mudou de posição um pouco até permanecer sobre ela antes de afastar sua boca e salpicar beijos em seu pescoço. Ela ofegou quando ele atingiu um ponto sensível em seu pescoço, antes de colocar beijos ao longo de sua clavícula e depois para baixo de seu peito, depositando um em sua cicatriz. Ele, então, circula seus seios e ela se arqueia para ele, deixando escapar um gemido ofegante quando ele arrastou beijos por sua barriga, ficando mais perto da onde ela queria que ele chegasse. "Rick, por favor", ela gemeu quando ele beijou no interior de sua coxa antes descer a perna e beijar seu joelho. "Deus, você é um maldito provocador, Castle", ela resmungou.
"Então estamos de volta a Castle, não estamos?" ele murmurou sobre sua pele, mudando para o interior da outra coxa. Quando ele estava prestes a chegar exatamente onde ela queria, sua barriga soltou outro resmumgar. Castle soltou uma risada ofegante contra sua coxa e olhou para ela. Seus olhos estavam cerrados e suas bochecas coradas. Seu estomago soltou outro rugido e ela olhou envergonhada e antes que percebesse, ele pegou-a nos braços e estava movendo-se para longe da cama. Os braços dela imediatamente envolveram fortemente o pescoço dele, mesmo sabendo que ele nunca iria deixá-la cair.
"Castle! Castle! Me bote no chão! O que você está fazendo?" Beckett gritou em meio a risadas, lutando contra ele. "Rick, por favor", ela riu. Ambos lembraram da última vez que ele tinha feito isso, levando-a para fora do hangar e ela tinha dito exatamente isso. Não era momento para tristeza embora assim que ele deu um suave beijo em seu cabelo e gentilmente a colocou no chão, ela se queixou do equilibrio em seus ombros.
"Você estava com fome", disse ele, com seu sorriso habitual de menino no rosto. "E é hora do café da manhã." Beckett olhou para ele, percebendo a diferença de altura já que ela não estava em seus saltos. Seus olhos se encontraram, e seu rostou abriu em um sorriso. Ela não conseguia parar de sorrir e ela sabia que estava começando a corar. Ela se inclinou e apertou seus lábios nos dele, envolvendo os braços em volta de seu pescoço, enquanto as mãos dele foram para seus quadris, puxando-a. Eles se separaram um pouco ofegantes, suas testas ainda grudadas. Ambos foram se acostumando a beijar e a tocar no outro sem, ao menos, causar uma sensação estranha.
"Eu provavelmente deveria colocar algumas roupas", Beckett sorriu, virando-se de modo que ele tinha uma visão de sua bunda.
"Mas Kate," ele resmungou. "Eu gosto mais de voce nua!" Ele gemeu, chegando por trás dela e envolvendo seus braços em volta de sua cintura. Ele começou a beijar sua espinha antes de aninhar-se em seu pescoço para sentir seu aroma.
"Castle, por mais que eu gostasse de ficar nua o dia todo, o que acontece se Alexis ou Martha chegam aqui e me encontram nua no seu apartamento?" Ela perguntou a ele, puxando a camisa dele da noite anterior, que havia sido descartada em sua corrida frenética para chegar ao quarto. ela abotoou frouxamente, de modo que caia de um ombro e pendia no meio de suas coxas. Ela virou-se em seus braços, salpicou-lhe beijos em sua boca e pegou sua boxer do chão, segurando-a para ele vestir. "Vamos, Castle, eu preciso do meu café", ela sorriu, pegando sua mão e puxando-os para fora de seu quarto.





terça-feira, 24 de julho de 2012

[Stanathan fic] "Something always brings me back to you"


Título: Something always brings me back to you
Autora: Kay.
Categoria: Shippers Reais - Stanathan
Advertências: insinuações apenas, nada de explícito dessa vez ;)
Classificação: R
Capítulos: Oneshot
Completa: [X] Sim [ ] Não
Resumo: Ela estava apaixonada por ele.
Nota:Eu ando numa vibe Stanathan tão forte ultimamente que minha cabeça não parava de pensar em vários cenários envolvendo os dois, tão lindos e perfeitos, eu precisava botar pra fora e escrever alguma coisa. Eu sou uma true believer que os dois tiveram alguma coisa durante a primeira temporada, e acho que foi por isso que essa fic tomou essa forma. Também sou uma angst lover incurável =p, adoro envolver um drama nas coisas e ver por essa perspectiva. Espero que vocês que também shippam os dois gostem *-* 

Vou deixar essa parte como uma oneshot por enquanto. Na verdade eu já escrevi mais dela, envolvendo o POV do Nathan porque eu gosto de ver os dois lados, mas sei lá, prefiro ir por partes. Vamos ver se essa agrada primeiro, claro.
Blagh, já falei demais. Espero que agrade, feedback é bem vindo.

Os versos pertencem a música Gravity, da Sara Bareilles.



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Acontecia com menos frequência naqueles dias, e era sempre acompanhado de surpresa.

Vezes em que suas guardas estavam baixas, que seus medos estavam esquecidos e então ela era surpreendida. Vezes em que ele a olhava despido de qualquer receio, um olhar nu como se estivesse enxergando todo o seu interior, tudo o que ela guardava dentro de si e talvez estivesse vendo mesmo. Ainda que durasse segundos, o olhar dele era tudo o que ela conseguia se focar, as íris azuis lhe contando tudo o que ela mesma tinha pedido para que a boca jamais voltasse a repetir.


Something always brings me back to you


Ela tentava fugir quando isso acontecia, desviava os olhos para que ele não mais tivesse acesso a ela, ria com qualquer comentário do momento ou concentrava-se no texto ou qualquer coisa da próxima cena que iriam gravar. Ela tentava não parecer afetada e realmente conseguia pois ninguém parecia perceber, ela era uma atriz afinal de contas. Ele também era, e por isso ela duvidava da expressão extremamente neutra que ele sempre usava depois. Ele era Nathan Fillion, graça e irreverência, alto astral e talento e podia estar pensando um milhão de coisas dentro de um sorriso casual.


O jeito como ele conseguia lhe tocar com um simples olhar, a forma como ele podia lhe fazer arrepiar era indescritível, talvez inevitável. Com o passar do tempo eles aprenderam a entrar num ritmo neutro, o tipo de relação que co-stars tem uns com os outros, carregar uma amizade e saber demonstrar isso atrás dos bastidores, na frente das câmeras. Eles faziam um ótimo trabalho nisso, ninguém conseguiria perceber, ninguém pareceu suspeitar. E isso era bom, isso a ajudava a manter as coisas como elas sempre deveriam ter sido, desde o começo. Mas então ele remexia em tudo, e então ele a olhava daquela forma e era um caminho sem volta. Ele o fazia e assim ela se lembrava, ela relembrava, memórias que eles haviam concordado em não mais mencionar. Era difícil manter um acordo quando no momento mais inesperado ele a olhava daquela forma e ela só conseguindo lembrar-se do peso da mão dele correndo seu corpo ou como seus lábios pareciam adorar sua pele, saboreando-a em todo lugar. E era por isso que ela se arrepiava, era intenso demais, fazia tempo demais.


You hold me without touch.


E era em momentos como aquele que ela se lembrava de quanto o queria.

O tempo não tinha conseguido apagar muitas coisas, não quando se tratava dele. Stana nunca imaginou que algo assim fosse acontecer com ela, com eles, mas muito aconteceu assim em sua vida, imprevisível. Ele mesmo tinha chegado de uma forma inesperada e mudado coisas dentro dela, fazendo-a sentir milhares delas ao mesmo tempo. Muitas eram sentimentos que ela não deveria estar sentindo, não ela, a pessoa que tinha jurado jamais misturar vida amorosa com a profissional. Ah se antes soubesse que na verdade nunca tivera controle sobre isso, se soubesse que Nathan era um homem apaixonante, que desfiava as regras. 

Mais tarde, arrumando as coisas em seu camarim, não conseguia parar de pensar naquilo, em como ele tinha parado no estúdio no intervalo dos ensaios e olhado para ela daquela forma, dizendo tantas coisas no silêncio. Era como se suspirasse que a conhecia, que ainda a queria, que precisava dela tanto quanto Stana precisava dele. E assim ela fechava os olhos, precisava de foco, precisava de simplesmente não pensar. Ela tinha quase certeza que ele estava namorando, ela não iria perguntar porque eles não tocavam nesse tipo de assunto, era delicado demais. Não quando estavam juntos, só os dois, e carregado um histórico. Ele não podia fazer isso com ela, não quando tinha alguém, não quando ela não queria ter ninguém. 


Set me free, leave me be. I don't want to fall another moment into your gravity.


Fazia um belo trabalho em esconder sentimentos na frente das pessoas, mas era quando estava sozinha, ela e quatro paredes que a verdade vinha à tona sem que ela conseguisse negar. 

Era muito complicado. 

Por um lado era até simples demais.


# # #


Ela pode ouvi-lo, dias depois, convidar os meninos e mais um pessoal do crew para uma pequena reunião em sua casa, Nathan era um homem que adorava estar cercado de pessoas. A animação em seu rosto era evidente e ela amava vê-lo daquela forma, cheio de excitação, parecia natural, ingênuo até, as linhas de sua pele todas em conjunto iluminadas. Ele aproveitou que Seamus e Jon aguardavam juntos o começo das gravações, dividindo uma pequena mas animada conversa, e assim os convidou, só que ela sabia que Nathan não faria o mesmo com ela. Ele a tratava de uma forma diferente, as outras pessoas muitas vezes não conseguiam enxergar isso, mas ela o conhecia demais para não notar. E antes que ele tivesse a oportunidade, começou sua busca por desculpas, qualquer motivo que fosse convincente o suficiente para justificar sua ausência. Ela não iria, não podia, não quando o apartamento dele guardava muitas memórias. Ainda. Mesmo que cheio de outras pessoas por perto, Stana sabia que não conseguia enxergar aquele local com olhos casuais. Ela simplesmente sabia. Sabia que a cozinha a lembraria das vezes em que, com uma caneca quente de café nas mãos, os cabelos soltos e usando uma camiseta dele bem maior do que seu corpo, ela o assistiu preparando o resto do café da manhã; a sala lhe lembraria das vezes em que eles simplesmente não conseguiram chegar até o quarto e então ele a depositava ali, no sofá, urgente em fazer amor com ela. Até a porta era perigosa, lhe forçaria a relembrar de todas as despedidas, aquelas em que ele sempre beijava o cantinho de sua boca numa promessa de mais, de um novo encontro que estaria por vir.


You keep me without chains


Fazia tanto tempo desde o último, mas ainda sim ela achava que podia sentir o peso de seus lábios. Não se surpreenderia se realmente pudesse.

Não estava tão errada ao prever sua forma de vir lhe procurar, ele o fez num momento em que ela estava sozinha, ainda que houvesse pessoas por perto. Comentou mais ou menos como seria, nada grande demais, uma reunião de amigos porque ele era realmente cheio deles. Disse que seria ótimo se ela pudesse ir, seu coração pulando ao ouvir tudo aquilo, seu coração doendo quando chegou a vez de recusar. Ela pode ver tudo acontecendo nos olhos dele, Nathan ainda que tentasse ser natural não conseguia disfarçar certas coisas dela. Não sabia ao certo se ele acreditou na sua desculpa esfarrapada ou simplesmente reconhecia seu esforço em impor uma distância, mas ele no final aceitou sua resposta. Não antes de dizer que ela sempre seria bem vinda, independente do que havia acontecido.

Fora a segunda vez naquela semana que ele a fazia estremecer. Ao indiretamente mencionar todos os momentos que passaram juntos, ao fazer isso olhando em seus olhos, com tantas pessoas por perto e sem nenhuma forma dela poder fugir. Independente do que tinha acontecido, independente dos beijos e cafés da manhã, das madrugadas e incontáveis gemidos, você é louco, fica um pouco mais, você é linda, não para, não para. Tudo voltava em flashes em sua mente, ela chegando a se perguntar se o mesmo acontecia com ele. 


Something always brings me back to you.
It never takes too long


Ela torcia para que sim, não podia ser a única. Ou talvez fosse melhor não, um dos dois devia ser capaz de seguir em frente.

Ela estava tão cansada.

Era emocionalmente exaustivo tentar tirar uma pessoa do seu coração que você vê todo dia, que está ao seu lado na maior parte das suas horas, ao alcance de um toque. Muito menos se você tem que interpretar um amor que existe, mas ainda não foi vivido pelo puro medo de uma mulher em se deixar levar, numa atração que depois de anos de parceria entre muitos casos foi virando amor, passar para a tela tudo isso quando na verdade ela não estava interpretando coisa nenhuma, ela sentia, ele sentia, mas mantinha a sua palavra em respeitá-la e respeitar suas decisões. Ainda que não concordasse com ela, ainda que ele a quisesse para si e não desse a mínima para o que a imprensa pudesse falar dos dois. 


No matter what I say or do, I still feel you here 'till the moment I'm gone


Eles tinham muito a perder se não desse certo, se assumissem uma relação e depois ver tudo cair por terra, diante de milhões de olhos e milhares de câmeras. Ela não podia se arriscar, não podia marcar sua carreira assim, não uma que batalhou tanto para conseguir. Mesmo que estivesse se sacrificando, sacrificando seu amor e o amor dele. Stana tinha sentado e conversado com ele, tentando fazer Nathan entender todas aquelas razões, razões que ele achou inúteis porque gostava dela, queria ficar com ela. Fechava os olhos e os apertava forte quando a lembrança do olhar ferido dele voltava para lhe assombrar, ela o machucou, ela sabia que tinha feito e sabia que era para o bem, ainda que nunca fosse se perdoar. Jamais poderia ter imaginado que iria se apaixonar por ele, jamais poderia pensar que um dia o sentimento pudesse ser reciproco.

Ela estava apaixonada por ele.

Ainda.

E era cansativo, era difícil lutar contra isso quando ele a fitava como nos velhos tempos, quando a olhava com admiração, talvez ainda não acreditando que ela estava ali, ao seu lado, na sua cama, se entregando todas as vezes que ele quisesse lhe tomar. 

Talvez houvesse mesmo um breaking point, um ponto em que toda a luta se tornasse em vão porque o que existia era forte e intenso e bonito demais para ser negligenciado. Um ponto em que todo o esforço parece inútil porque quando algo é feito para durar ele não morre com facilidade, não quando existe ainda um resquício de esperança escondido, muito escondido em várias camadas de medo. Ela sempre se perguntou isso, ela sempre temeu que fosse verdade e que pudesse se aplicar a ela, aos dois e aquele sentimento que parecia não querer deixa-la tão cedo.

Ela estava cansada de lutar.

O suspiro que saiu de seu corpo talvez fosse o simbolismo perfeito para aquela onda de pensamento que lhe tomava, o suspiro que ecoou por aquele corredor que outrora permanecia no silêncio. Devia mesmo ter atingido o seu limite porque quase não lembrava do momento de sua decisão, de redenção até aquele em que tinha ido parar ali, em frente à porta do apartamento dele. Ela estava ali, quase uma hora da manhã, as mãos ainda vibrando com as batidas na porta, seu coração batendo forte sendo tudo o que conseguia escutar. Ela estava ali. 


Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be


Stana não tinha ideia se Nathan estava acordado, se ainda tinha alguém no apartamento, se a reunião perdurara. Não podia prever muitas coisas, não conseguia controlar seus próprios sentimentos e a maior prova disso era estar parada ali, esperando uma resposta, prevendo a abertura daquela porta a qualquer minuto.

E aconteceu. 

Aconteceu e num minuto ele estava ali, olhando para ela com olhos de surpresa, de curiosidade, olhos azuis que ela amava ter voltados para ela. De repente não conseguia achar as palavras, palavras que na verdade ela não tinha ensaiado por achar que viriam em algum momento. Mas ela estava tentando, ela rezava para que pelo menos o seu olhar pudesse dar qualquer tipo de explicação que ela sabia que Nathan pudesse querer. Havia muitas perguntas no ar, muitas vontades ao redor deles, perguntas sem respostas.

“Whoa, alguém aqui está com relógio meio atrasado, a reunião era as oito e não à uma hora” ele tentou brincar mas o máximo que ela conseguiu esboçar fora um sorriso. Não estava para brincadeiras, era tão sério o que tinha ido para fazer ali, sério que poderia até lhe assustar. Muitas coisas em jogo, seu amor, seu coração, medos e escolhas, tudo. Tudo.

A brincadeira desapareceu de suas feições à medida que ele começou a ler os olhos dela, ele era muito bom em fazer isso. Ainda mais quando ela o deixava, quando ela não impediu ou impunha qualquer barreira. Stana estava transparente, nua aos seus olhos, deu passos à frente, entrando no apartamento, chegando mais perto. Mais perto, podia ver melhor seus olhos agora e o sentia enxergando tudo, vendo através dela já que a boca não era capaz de pronunciar. 



But you're on to me and all over me


Talvez não precisasse realmente de palavras.

Talvez seus olhos fossem melhores oradores do que ela pudesse imaginar.

Porque no próximo instante ela sentiu os lábios dele grudando nos seus, finalmente, e ali foi que enfim Stana se viu capaz de respirar.




Something always brings me back to you
It never takes too long