Título: À Flor Da Pele
Autora: Lab Girl
Categoria:Caskett, 4ª temporada, songfic, hurt/confort, romance
Advertências: Conteúdo de natureza sexual; spoiler do Episódio 4x09 Kill Shot
Classificação: NC-17
Capítulos: 1 (one shot)
Completa: [ x ] Sim
Resumo: Beckett tenta fugir do que sente, mas percebe que a verdadeira libertação encontra-se na entrega.
Notas da Autora: Eu não tenho uma grande familiaridade com o universo de Castle, mesmo assim quis arriscar escrever algo de próprio punho para vocês
Apesar de toda a minha dedicação - e eu aproveito para agradecer imensamente à minha querida amiga Nina (MSLP), que foi a minha grande fonte de informações sobre Castle – eu não tenho o domínio que seria ideal sobre os personagens para escrever algo com eles... mesmo assim eu tentei. Arregacei as mangas, assisti mais episódios (até participar do AS Geral eu tinha assistido apenas 4 episódios do seriado) e me concentrei em um deles, de que muito gostei, para escrever esta história.
E espero que o fandom de Castle me perdoe caso encontrem alguma inconsistência com relação aos personagens
Fiz com muito carinho, podem ter certeza. Dei o melhor de mim, sem dúvida.
Ah, a música que usei como inspiração para esta fanfic, a pedido da Just for Stana, chama-se “My Skin”, da Natalie Merchant.
Então vamos lá... menos papo e mais ação. Que comece o show!
Encolhida em seu sofá, escutando o vento soprar do lado de fora da janela, Kate Beckett acomodou os joelhos contra o peito numa espécie de abraço. Estava frio lá fora, e por dentro ela não se sentia muito diferente.
Depois da última sessão com seu terapeuta ela havia decidido que podia superar seus fantasmas. Mas não podia. Era mais fácil dizer aquilo do que conseguir. Especialmente assim que havia entrado em casa e as imagens dos acontecimentos dos últimos dias, das últimas horas, tomaram conta de todos os espaços em seus pensamentos.
Kate olhou de relance para a garrafa de uísque que havia sobrado em cima do balcão da cozinha. Tinha decidido se livrar dos últimos resquícios de álcool em casa... não era uma decisão prudente manter aquilo ali.
Ela ergueu-se do sofá com um longo e pesado suspiro, caminhou até a garrafa. Seus dedos trêmulos tocaram a superfície fria do vidro. Precisava se livrar daquilo o quanto antes. Kate engoliu em seco, olhando para o líquido dentro da garrafa. Estava tudo bem, ela faria aquilo... iria se livrar de um problema que não queria e nem poderia começar a ter.
Quando conseguiu erguer a garrafa de bebida na mão, o som da campainha quase a fez derrubá-la no que seria um desastre. Mas Kate contornou o susto antes que fosse tarde. Respirou fundo e deixou a garrafa sobre o balcão novamente. E começou a imaginar quem estaria à sua procura àquela hora da noite.
Caminhando até a porta, Kate parou os segundos necessários para espiar pelo olho mágico. Seu coração deu um salto. Ela destravou as trancas.
“Castle, o que faz aqui?”
A pergunta não soou muito educada, mas Kate não conseguiu evitar.
“Oi. Posso entrar?” ele usava um sobretudo escuro e tinha uma expressão tão jovial no rosto que por instantes ela se distraiu.
E Richard usou esses segundos de distração para passar pela porta e atingir a sala. Kate bufou, fechando a porta atrás de si.
“O que faz aqui, Castle?” ela repetiu a pergunta. “Está tarde, eu quero ficar sozinha.”
“Eu liguei mais cedo e você não me atendeu. Nem no telefone de casa, nem no seu celular. Fiquei preocupado com você” ele se virou para encará-la.
Kate percebeu o rosto dele assumir linhas de seriedade. A expressão jovial havia desaparecido para dar lugar a uma muito adulta. Uma que ela sabia o que queria dizer e não estava pronta para encarar.
Desviando os olhos dele, Kate cruzou os braços e andou pela sala, afastando-se da presença forte de Castle.
“Não precisa se preocupar comigo. Estou ótima, não vê? Agora pode se sentir à vontade para ir embora.”
Fria. Fria como gelo. Ela não sabia bem de onde aquela reação saíra, mas tinha sido inevitável. Ela havia ficado agradecida pela forma como Castle não forçara nada nem a confrontara durante a condução do último caso. Mas se ele pretendia fazer isso agora, ela realmente queria que ele partisse.
“Nós ainda não conversamos a respeito do que aconteceu, Beckett. Eu não quis forçar nada durante o caso, confiava em você e sabia que ia encontrar seu caminho sozinha. Mas agora que toda a situação já passou, acho que pode precisar de um ombro amigo para desabafar...”
“Eu não preciso, Castle. Eu agradeço a sua preocupação, mas não quero falar sobre nada” Kate disse, ainda de modo seco enquanto se virava de costas para ele e olhava a noite do lado de fora da janela da sala.
Ela ouviu perfeitamente o suspiro que Castle emitiu. Ela podia até mesmo ver o rosto dele encarando sua figura, mesmo que estivesse de costas para ele.
“Está bem. Então não vamos falar sobre nada” Castle pronunciou as palavras em tom calmo.
Mas a profundidade da voz dele a atingiu, fazendo os pêlos na nuca de Kate arrepiarem-se. Ela se moveu até mais perto da janela e abriu o vidro, tentando ocupar-se com alguma coisa que não a deixasse consciente do quanto aquele homem mexia com ela. Assim que abriu a janela, o vento frio cortou-lhe o rosto.
Frio. Tinha medo do frio desde a ocasião em que havia ficado presa naquele container. Já não apreciava aquela sensação como antes... então, tornou a fechar a janela apressadamente. Afastou-se um pouco do vidro, mas ainda olhando para fora envolveu o corpo com os braços.
Take a look at my body / Dê uma olhada em meu corpoLook at my hands / Veja minhas mãosThere's so much here that I don't understand / Há tanto aqui que eu não compreendo
“Kate...” ele a chamou.
Ela não respondeu.
Permaneceu imóvel, os braços em torno de si mesma, o corpo tremendo de frio. Não de um frio real, mas de um que parecia vir de dentro.
Castle não falou mais nada, porém ela o ouviu dar alguns passos e de repente parar. Então ela pôde distinguir o som dele mexendo na garrafa e colocando-a de volta sobre o balcão, sem dizer nada.
“Vá embora, Castle” Kate ordenou, mas o comando perdeu toda e qualquer força ao ser proferido por seus lábios.
Your face-saving promises / Seu rosto de promessas guardadas
Whispered like prayers / Sussurradas feito preces
I don't need them / Eu não preciso delas
Ela sentia o corpo ainda trêmulo e irritou-se por perceber que não conseguia controlar esse tremor. Seus olhos ardiam.
“Kate, está tudo bem. Eu estou aqui com você” ele a chamou, tentando trazê-la de volta para ele.
Mas ela não queria se virar e olhar para ele. Para o rosto, para os olhos dele. Não queria ver neles mais do que devia. Castle representava um mundo de promessas que ela não queria escutar. Deixar-se aventurar e convencer-se de que conseguiria se entregar a alguém como ele seria insensato demais, para não dizer perigoso demais.
Ela queria ser forte, precisava ser. Mais forte do que aquela onda de sentimentos que sempre ia e voltava, quase a consumindo com sua força avassaladora.
'Cause I've been treated so wrong / Porque eu tenho sido tratada de modo tão errado
I've been treated so long / Tenho sido tratada assim há tanto tempo
As if I'm becoming untouchable / Como se estivesse me tornando intocável
Mas não era por que o mundo e outras pessoas, outras situações, haviam derrubado sua fé e sua confiança que significava que tinha de ser sempre assim. Kate sabia que Castle era diferente. Com ele as coisas andavam de modo diferente. E mesmo assim ela tinha medo de se entregar.
Well, contempt loves the silence / Bem, o desprezo é amante do silêncio
It thrives in the dark / ele prospera na escuridão
With fine winding tendrils / com delicados galhos espiralados
That strangle the heart / que estrangulam o coração
Só que Kate sabia que quando se entregava o coração a alguém, a possibilidade de sofrimento era muito maior. As perdas, os desafios, tudo se tornava grande e difícil demais de superar. E ela não se sentia preparada para nada disso.
They say that promises sweeten the blow / Dizem que promessas amenizam a desgraça
But I don't need them / Mas eu não preciso delas
No, I don't need them / Não, eu não preciso delas
“Kate...” a voz dele murmurou seu nome outra vez.
Ela manteve os olhos na janela, nas luzes da rua. Não precisava se entregar ao luxo de deixar mais alguém entrar em seu coração, em sua vida, de uma maneira tão forte que depois não saberia mais como seguir em frente sozinha outra vez. E invariavelmente as pessoas tinham que aprender a serem sozinhas... ninguém era eterno. Sua mãe era prova disso.
Por isso Kate não queria ver as promessas de alívio contidas no rosto de Castle. As promessas de que ela podia ser mais feliz do que havia sido até agora deixando-o apenas a uma pequena distância segura de seu coração.
I've been treated so wrong / Tenho sido tratada de modo tão errado
I've been treated so long / Tenho sido tratada assim há tanto tempo
As if I'm becoming untouchable / Como se estivesse me tornando intocável
Só que às vezes era tão difícil não sentir... E ao mesmo tempo em que não se sentia pronta a arriscar, ela tinha medo da solidão. De estar se fechando tanto a ponto de permanecer intocada por aquilo que mais importava.
“Kate, não precisa falar comigo se não quiser” Castle tornou a falar com voz mansa e suave. “Só quero ficar aqui do seu lado.”
I'm a slow-dying flower / Sou uma flor que morre lentamente
In the frost-killing hour / Na geada impiedosa
Sweet turning sour and untouchable / O doce se tornando acre e intocável
Por que ela não permitia que ele se aproximasse? Que a abraçasse como no fundo ela queria?
A dor era difícil, mas se tornava ainda mais porque não se permitia compartilhá-la com alguém. E quem melhor do que Castle?
Os olhos de Kate piscaram, tentando afastar o ardor. Ela sentia-se morrendo aos poucos, murchando sem dar chances ao amor.
I need the darkness, the sweetness / Eu preciso da escuridão, da doçura
The sadness, the weakness / Da tristeza, da fraqueza
Oh, I need this / Oh, eu preciso disso
Estava tão acostumada a manter seu coração protegido que acreditava ter se acostumado à solidão, à sensação de que estar só era sua única hipótese. Mas ela sabia que não era.
Ele estava ali provando o contrário... Castle.
Fazendo-a encarar a realidade: precisava das coisas que se negava a desfrutar.
I need a lullaby, a kiss goodnight / Preciso de uma canção de ninar, de um beijo de boa noite
Angel, sweet love of my life / Anjo, doce amor da minha vida
Oh, I need this / Oh, eu preciso disso
Ela ouviu os passos dele a suas costas, aproximando-se. O movimento a arrepiou. Kate já não suportava mais seguir daquele jeito. Ela sentia precisar de mais... só de um pouco mais.
Era difícil não sentir. Não perder a esperança por vezes... como nos últimos dias. Ela quase havia enlouquecido. Mas Castle havia permanecido ao seu lado, mesmo que não dizendo nada, mesmo que sem forçá-la a encarar seu problema, ele havia permanecido ali para ela.
Como agora. Mesmo quando ela o evitava, mesmo quando queria se fechar em si mesma, ele não a forçava a nada. Apenas estava ali com ela. Isso já era o suficiente. Já dizia mais do que o suficiente.
I'm a slow-dying flower / Sou uma flor que more lentamente
Frost-killing hour / Numa uma impiedosa geada
The sweet turning sour and untouchable / O doce tornando-se acre e intocável
Estava se tornando tão distante e fechada que temia que algum dia nem mesmo Castle pudesse mais alcançá-la. E ele era o único em quem ela confiava e acreditava o bastante para permitir que atingisse seu interior.
Ele era honesto, genuíno. Era divertido e esperto, uma mistura de qualidades que ela não conhecia em nenhum outro. E os dois já haviam passado por tantas coisas juntos... momentos que ela não se imaginava passando com mais ninguém.
Do you remember the way / Você se lembra do modo
That you touched me before? / Como me tocou antes?
All the trembling sweetness / Toda a doçura trêmula
I loved and adored / Eu amei e adorei
Ela só queria senti-lo. Senti-lo um pouco mais. Provar o sabor dele num beijo por mais uma vez.
A aproximação dele a fez prender a respiração por um instante.
“Por que insiste, Castle?” ela se ouviu perguntando.
“Porque você é importante para mim” ele respondeu sem um segundo de hesitação.
E a resposta fez o peito de Kate se apertar mais um pouco.
Your face-saving promises / Seu rosto de promessas
Whispered liked prayers / Sussurradas como preces
I don't need them / Eu não preciso delas
I need the darkness, the sweetness / Eu preciso da escuridão, da doçura
The sadness, the weakness / Da tristeza, da fraqueza
Oh, I need this / Oh, eu preciso disso
“Eu deixei você de fora...” ela se ouviu confessar, sentindo-se um pouco culpada por isso. “No nosso último caso... eu deixei você à margem do que estava acontecendo comigo.”
“Não deixou, não” Castle a contradisse. “Você estava sofrendo. Aquele atirador trouxe à tona um momento difícil da sua vida, mas eu sabia que você ia superar isso. Como superou.”
Kate suspirou. “Você não me disse nada na ocasião...”
“Eu não queria que parecesse que eu estava duvidando da sua capacidade” Castle respondeu com firmeza. “Eu nunca duvidei de você. Mas precisava que você mesma não duvidasse também.”
Como ele podia ser tão compreensivo com ela? Era algo que Kate não entendia, mas pelo qual era grata. Ao longo dos anos os dois tiveram seus atritos, mas Castle aprendera a respeitar seus espaços e seus limites. E agora ali estava ele, dizendo que havia permanecido à margem de sua crise apenas por acreditar nela... isso era demais para Kate. Dizia muito.
I need a lullaby, a kiss goodnight / Preciso de uma canção de ninar, de um beijo de boa noite
Angel, sweet love of my life / Anjo, doce amor da minha vida
Oh, I need this / Oh, eu preciso disso
Ela queria virar-se e encará-lo. Mas seu corpo estava tão cansado que parecia nem mesmo ter forças para esse ato simples.
“Eu resolvi o caso, Castle... mas ainda estou lutando contra o que tudo isso fez comigo” a confissão saiu em voz estrangulada, porém Kate não foi capaz de impedir que as palavras lhe escapassem.
Estava doendo ainda, e sabia que para deixar os fantasmas para trás tinha que dar o primeiro passo. Ela havia dito na terapia que estava disposta, que estava pronta para a superação... mesmo que no momento não tivesse mais tanta certeza, precisava começar de alguma maneira.
Well, is it dark enough? / Ora, está escuro o bastante?
Can you see me? / Você pode me ver?
Do you want me? / Você me quer?
Can you reach me? / Consegue me alcançar?
Castle andou mais alguns passos para perto dela, o som ecoando pela sala silenciosa. E a aproximação se tornou maior, Kate podia sentir o calor do corpo dele a suas costas. Quente e firme. Inquestionável.
Ele tocou-lhe o ombro de leve, mas foi o bastante para que ela sentisse o calor que vinha dele percorrer seu corpo, desfazendo subitamente a sensação de frio.
Oh, I'm leaving / Oh, eu estou partindo
Better shut your mouth / É melhor você se calar
And hold your breath / E poupar seu fôlego
You kiss me now / Você me beija agora
You catch your death / Você apanha sua morte
Oh, I mean this / Oh, eu falo sério
Oh, I mean this.../ Oh, eu falo sério
“Kate, me deixe ajudar. Você não tem que ficar sozinha. Você não está sozinha!” as palavras dele saíram firmes e fizeram-na soltar as amarras que havia colado em torno de si, começando pelos próprios braços que a envolviam.
Ela deixou os braços caírem ao lado do corpo, permitindo que Castle se aproximasse e colocasse os dele em torno de seu corpo cansado e frágil.
“Eu estou aqui, minha querida. Sempre” ele sussurrou as palavras, abraçando-a.
E ela deixou-se abraçar. Fechou os olhos e permitiu que as lágrimas presas finalmente rolassem soltas enquanto as mãos buscaram o calor das dele, entrelaçadas em sua cintura.
Os dedos de Castle prenderam-se aos de Kate, permaneceram os dois ali parados no meio da sala dela, abraçados enquanto ela chorava silenciosamente. Ela permitiu que a dor e a frustração saíssem em forma de lágrimas, deixando seu peito com uma sensação de alívio.
Passados alguns minutos, Kate já se sentia menos pesada e dolorida, o calor do corpo de Castle perto o suficiente para aquecê-la. Mas logo isso já não era o bastante... quando os lábios dele tocaram a pele de seu rosto num carinho inocente, uma senda de arrepios foi lançada por sua espinha.
Ela queria evitar. Mas não conseguia. Toda vez que ele a tocava era diferente de qualquer outra ocasião em que havia se deixado tocar por alguém. Ele podia ser arrogante e brincalhão, mas quando a tocava assim, de maneira tão suave, ela sentia que não era nenhuma brincadeira. Era carinho. Era sincero.
Como não se permitir ser alvo daquela atenção genuína? Como não se permitir desejar mais?
Foi assim que ela se viu deixando o corpo guiá-la, virando-se no abraço quente de modo a ficar de frente para ele. Castle afrouxou os braços em sua cintura, mas não se afastou. Ele apenas a olhou atentamente em silêncio. E foi também sem dizer palavra que Kate buscou os lábios dele com os seus.
As mãos buscaram abrigo nos cabelos da nuca macia de Castle, afundando os dedos enquanto sua língua mergulhava no interior da boca morna que a consumira em tantos sonhos.
Você conhecerá um Alexander e ele será extremamente importante para você. Em um encontro futuro ele deve salvar sua vida...
Ele a salvara. Richard Alexander salvara sua vida mais de uma vez, de distintas formas. E ali estava ele, salvando-a uma vez mais... de si mesma, de suas tormentas internas e da solidão.
Quando ela havia levado o tiro... o rosto, a voz dele dizendo que a amava. Aquilo tinha sido verdadeiro. Ela podia dar uma chance a eles, não podia? Ela podia acreditar...
Ele então lhe segurou o rosto, rompendo o beijo um instante. Castle inspirou, olhando diretamente nos olhos de Kate.
“Eu pararia o mundo se pudesse por você, mas não posso. Sei da sua dor e, pode acreditar, ela é minha também.”
Kate sentiu um pequeno nó formar-se em sua garganta. Ele tinha um brilho estampado nos olhos... um brilho de absoluta sinceridade. Ele estava sendo tão sincero que chegava a doer... o peito de Kate doía e ela só queria fazer parar. Mas desconfiava que a única maneira seria sendo tão sincera quanto ele. O que significava entregar-se ao que sentia.
“Eu posso tentar dividir as minhas dores... se você estiver sempre do meu lado, isso já vai ser mais do que suficiente.”
Ele sorriu, o polegar roçando-lhe suavemente o queixo. “Sempre.”
As mãos dele subiram então por seus braços, aquecendo-a através do tecido da blusa de mangas e reacendendo o desejo no interior de Kate.
Ela fechou os olhos por alguns instantes, saboreando o poder do toque, seu corpo arrepiando-se e se sentindo vivo novamente.
Suas pálpebras tornaram a abrir-se para encontrá-lo bem diante de seus olhos, fitando-a atenta e intensamente. Kate sentiu uma pontada no baixo ventre, uma sensação de calor e frio ao mesmo tempo.
Quase riu, sentindo-se uma adolescente no primeiro encontro. Inspirou, as mãos de Castle finalmente atingindo as suas. Seus dedos entrelaçaram-se, seus rostos se reaproximaram. Ele deixou que uma das faces roçasse gentilmente a dela.
Kate fechou os olhos outra vez, suspirando. Um toque tão simples, mas que teve o poder de lançar uma chama em seu interior. Ela soltou uma das mãos da mão dele e levou-a ao ombro firme, apertando em busca de maior contato e um ponto de apoio.
Castle beijou-lhe o rosto, descendo suavemente pelo pescoço, traçando um caminho de fogo e arrepios. Um gemido baixo escapou da garganta de Kate. Involuntário. Inevitável.
Suas unhas enterrarem-se ligeiramente no ombro coberto pelo sobretudo. A mão livre de Castle finalmente atreveu-se a tocar-lhe a cintura, apertando-a de leve para mais junto dele. Outro beijo em seu pescoço e ela arfou, os seios intumescendo em evidente reação ao que ele estava lhe causando.
Sem conter a ansiedade, Kate afastou a mão do ombro de Castle para puxar o casaco comprido que a impedia de sentir o que realmente queria... percebendo sua intenção, ele rompeu o contato de suas mãos unidas e afastou os lábios de seu pescoço para sacudir os braços e livrar-se da roupa.
Ela o ajudou com mãos agitadas, buscando os botões da camisa azul claro que ele vestia. Kate emitiu um murmúrio de satisfação quando seus dedos encontraram a pele nua do peito dele. Castle abafou um gemido.
Kate acariciou o calor da pele macia, sentindo os músculos firmes do peito dele, que subia e descia de modo agitado, o que a deixou feliz por constatar que não era a única a experimentar alterações na respiração.
As mãos dele também buscaram mais contato com seu corpo, contornando outra vez sua cintura, mas dessa vez os dedos de Castle buscaram a barra de sua blusa, afundando-se por baixo do tecido, subindo por seu abdômen. Kate sentiu os músculos da região se contraírem e puxou a respiração com força.
Castle olhou em seus olhos, interrompendo o movimento, como se buscasse algum sinal de reprovação que o fizesse parar. Mas ela entreabriu os lábios e buscou os dele, iniciando um novo beijo – um mais intenso do que o anterior.
Suas bocas ajustavam-se, saboreando a textura e a umidade do interior uma da outra enquanto os dedos dela deslizavam e pressionavam o peito masculino, os dele apertando a pele da cintura e barriga de Kate.
Dentro de poucos minutos, tanto a camisa dele como a dela estavam sendo removidas, seus lábios separando-se apenas o tempo suficiente para que as mãos um do outro se livrassem das peças.
A mente de Kate entrou em estado de repouso, as sensações tomando conta de seus sentidos. E ela não soube dizer como foram parar no meio de seu quarto, ofegantes e arrancando as últimas peças de roupa.
Quando ela se viu apenas em sua lingerie, Castle já completamente desnudo, ela sentiu a cabeça girar por um instante. Estavam tão perto de cruzar a linha do inevitável...
“Você quer parar aqui, Kate?” ele perguntou num sussurro, tomando tempo para deixá-la recuar se quisesse.
Mas ela sabia que ele esperava que não o fizesse... o peito dele ofegante, os olhos escuros de desejo.
Kate tampouco conseguiria parar agora. Se ainda estivessem vestidos na sala, talvez fosse possível tentar controlar... ora, a quem ela estava enganando? Desde que ele tocara inocentemente seu rosto com os lábios ela sabia que seria impossível parar.
“Não, Castle” sua voz saiu sussurrada, mas carregada de decisão. “Eu não quero parar. Eu quero ir em frente. Agora...”
Os olhos dele brilharam com maior intensidade e o coração de Kate Beckett disparou dentro do peito. Ela deu dois passos na direção dele, que a tomou nos braços com um suave gemido.
Castle beijou-lhe o pescoço, a mão viajou até suas costas, abrindo o sutiã vermelho. Ela levou as próprias mãos ao elástico da última peça que os separava, que deslizou por suas pernas, caindo a seus pés.
O contato de seus corpos, agora sem nenhum obstáculo, a fez produzir uma sequência de longos gemidos e ela cerrou as pálpebras, sentindo a boca ser coberta e aquecida pela de Castle.
As mãos dele subiam por sua pele, explorando e despertando mais calor e arrepios... uma trilha de desejo há muito contido, mas que naquele instante estava vindo à tona como uma correnteza que ela não podia controlar.
Eles se moveram juntos até a cama, onde se deitaram sobre o colchão macio e os lençóis brancos de algodão. Mais beijos, mais toques e o mundo se resumiu aos dois... a noite, o frio, a incerteza e os medos ficando lá fora, longe demais para alcançá-la.
Quando seus corpos se conectaram numa junção perfeita, Kate não teve dúvidas de que havia tomado a decisão certa. Lenta e suavemente eles começaram a se mover em conjunto. Castle estava indo devagar, sendo paciente por ela, Kate sabia. Mas tinha sido muito tempo à espera daquele momento, ela não conseguia mais esperar.
Por isso puxou Castle pelos ombros, as unhas arranhando a pele quente dele no caminho, trazendo-o para mais perto e insinuando os quadris, de modo que ele entendeu o recado. Os movimentos dele no interior de Kate tornaram-se mais acelerados, acompanhando os dela que seguiam o ritmo frenético da paixão recém desperta.
Num crescendo, os dois foram construindo a escalada de prazer, e como numa montanha russa ela sentiu-se subir, subir cada vez mais alto com cada estocada, com cada arfada de desejo. Os gemidos roucos, que já não sabia se eram dela ou dele, preenchiam o espaço ao fundo de sua mente enquanto Kate sentia o suor de seus corpos fazerem-nos deslizar um contra o outro.
E, de repente, ela estava lá em cima, alcançando o topo daquela montanha russa atraente e perigosa, a sensação de ansiedade sendo engolida pelo prazer da descida rápida e iminente. E sem controle, ela deixou-se cair do ponto mais alto... e o prazer máximo a encontrou, puxando seu coração para a garganta junto com um grito de euforia.
“Castle!”
“Sim, Kate... assim... se entregue pra mim” ele sussurrava contra a orelha esquerda dela.
Mas as batidas do coração de Kate soavam altas demais, ecoando em seus ouvidos e praticamente abafando a voz masculina que ainda lhe dizia coisas que não conseguia mais entender.
Não importava. Tudo o que ela queria ouvir estava ouvindo. O som da vida, da paixão. Ele era seu e ela era dele. Bastava.
.
.
Seus passos soaram abafados no piso da sala silenciosa. Ela aproveitou que ele dormia tranquilamente em sua cama e atravessou descalça o caminho até a cozinha. A garrafa de uísque ainda estava lá, repousando sobre o balcão.
Pegando a garrafa de uísque, abriu-a. O cheiro do álcool invadiu suas narinas. Kate então dirigiu-se à pia e despejou o conteúdo âmbar que desceu ralo abaixo numa pequena correnteza.
“Kate?” a voz de Castle chegou a ela pelas costas, sobressaltando-a.
Ela virou-se para vê-lo, também descalço, e enrolado por um lençol na cintura.
“Está tudo bem. Eu só vim fazer algo que deveria ter feito antes” dizendo isso, ela deixou a garrafa vazia ao lado do lixo.
E então caminhou de encontro a Castle. Ele a abraçou e beijou seus cabelos. Deu-lhe a mão e ela deixou-se guiar de volta ao calor do quarto. Os dois voltaram a se deitar sobre a cama desfeita.
Castle soltou o nó do lençol que estava na cintura e jogou-o sobre os dois. Ele a envolveu nos braços, num abraço caloroso. Kate encolheu-se junto ao peito dele, deixando-se embalar pelo sono ao som dos batimentos firmes do coração do homem que estava sempre ao seu lado.
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