Título:Merry Christmas, Kate.
Autor: Just for Stana
Categoria: AU , Multitemporadas
Classificação: NC-17
Capítulos: 4
Completa: [x] Yes [ ] No
Resumo: Desde que o conheceu, nada em sua vida voltou a ser comum. Muito menos o Natal.
Chapter 3
A ceia de Natal continuou animadamente, com todos tendo seu momento para compartilhar algo importante ou mesmo irrelevante de seu dia a dia. Claro que Richard Castle, como exímio historiador, era dono dos fatos ou não fatos mais interessantes, para não dizer exagerados.
Vez por outra, durante a troca de pratos ou mesmo de uma risada mais à vontade, eles também trocavam toques e como sempre, olhares. Era maravilhoso ver um e o outro tão à vontade assim. Especialmente ela.
Rick não esperava muitas recompensas de sua jornada nessa vida, afinal, já tinha praticamente tudo. Um bom nome, uma boa família, uma excelente carreira. Uma mãe louca, que na maioria das vezes era sua amiga confidente, uma filha adorável que muitas vezes era sua melhor conselheira, e uma amiga, colega de trabalho, sua parceira que poderia ser resumida naquela palavra que vez por outra ele adorava usar. Extraordinária.
Sim, Castle adorava sua vida, não tendo o que reclamar. Seu trabalho cruzava a barreira entre a monotonia e o excitante em questão de segundos e em um momento em que tudo não era outra coisa, senão um mar de dúvidas sombrias, uma reviravolta acontecia e então estavam diante de mais um desfecho de uma bela história, ainda que algumas vezes o final não fosse tão belo assim.
No entanto, das poucas coisas que ele poderia incluir na sua lista de pedidos de final ou de começo de ano, havia uma que ele queria desesperadamente ter, ainda que não fosse sua diretamente. Ele queria vê-la feliz. Partia o coração de Castle ver aquela maravilhosa mulher sempre carregando uma espécie de sombra em seu semblante. Queria poder vê-la sorrir com os cabelos ao vento, os pés dançando na areia, com o vestido salpicado pela água do mar, celebrando a liberdade que ela merecia viver.
Rick estava curtindo um bom vinho, enquanto os demais abriam os presentes animados. Pequeninas lembranças que ele mesmo havia providenciado e diante de todos os agradecimentos que poderia estar recebendo, apenas um fez seu coração saltar uma batida. Aquelesorriso.
Seu serviço parecia ou poderia estar completo, mas ele queria que essa noite durasse para sempre. Ele queria que aquele sorriso durasse para sempre. Então levantou-se dando continuidade à terceira parte do plano.
Já havia passado a meia noite e após todos desejarem uns aos outros o tradicional "Feliz Natal" e demais felicitações entre abraços calorosos, cada um seguiu com seus planos para o restante da noite. Alexis faria uma maratona de filmes com algumas amigas, Martha se reuniria com alguns amigos artistas e o pai de Beckett voltaria para sua cabana para festejar com seus companheiros. Despedidas feitas, restava só eles dois naquele apartamento tão especial.
- Obrigada, Rick. - Kate o abraçou, recebendo de volta o carinho dele.
- De nada, detetive, mas a sua noite ainda não acabou.
Beckett o olhou com curiosidade, recebendo de volta aquele sorriso típico de quem estava aprontando algo. Mas após todos esses anos ele já havia conquistado sua confiança e ela insistia em se convencer de que era apenas isso.
- Okey, "mystery writer". Já que não pude comprar nada pra você... Essa noite eu serei seu presente de Natal. - falou ela, gesticulando como se estivesse reverenciando-o.
- Wow, Detetive Beckett, você sabe o que nós fazemos com nossos presentes de Natal? - perguntou ele, dando um passo sedutor em direção à ela. - Desembrulhamos...
Beckett deu um soco no ombro dele, de maneira leve mas ainda assim a reação dele foi dramática. Céus, Richard Castle possuía mesmo um lado "Martha Rodgers" na veia.
- Auch! - reclamou ele, massageando o ombro com cara de vítima.
Ambos riram.
- Vamos lá, Castle. O que você ainda tem em mente? - perguntou ela em tom divertido.
Chegando à entrada de seu prédio, Kate se deparou com uma enorme limusine à espera dela. Castle não era um homem que vivia esbanjando o seu dinheiro por aí. Quer dizer, não muito. E quando se tratava de algo relacionado à sua adorável parceira Richard Castle abria todas as exceções. Beckett, ainda se maravilhava com o interior do veículo, quando ouviu aquele ruído típico de garrafa de champagne sendo aberta.
- À nossa parceria... - disse ele oferecendo uma taça à ela.
- Ào nosso relacionamento. - respondeu ela, sem pensar, ou quase.
Então os dois engoliram suas bebidas, tentando entender o significado escondido por trás do que ela havia acabado de dizer. Se é que ainda estava mesmo escondido.
Na limusine tocava uma música agradável e relaxante e a conversa seguia o mesmo padrão. Os toques físicos e olhares mais demorados, no entanto, eram evitados. Cerca de meia hora de passeio pela cidade completamente enfeitada pelas luzes natalinas finalmente chegaram ao seu destino.
Era um dos restaurantes mais chiques da cidade, e apesar de ser Natal, onde a maioria das pessoas preferia reuniões mais reservadas e familiares, o lugar estava realmente cheio. Adentraram o ambiente e antes de procurarem a mesa já devidamente reservada, Castle dirigiu-se para uma pequena recepção onde pessoas se amontoavam pegando alguns panfletos. Minutos depois ele voltou com dois adesivos iguais para ele e para ela.
- Aqui... – disse ele apressado. – Coloque nas minhas costas. Já vai começar.
- O que? – perguntou ela confusa, mas fazendo o que ele disse. – O que já vai começar, Castle?
- Nosso concurso de dança! – falou ele grudando o papel nas costas dela, empurrando-a para dentro.
Beckett arregalou os olhos, não acreditando no que aquele maluco havia aprontado com ela. Inscreveu ambos em um concurso de dança e antes mesmo que ela pudesse matá-lo, coisa que com certeza ela estava planejando fazer, Kate se viu no meio do grande salão, onde dezenas de outros casais recebiam os cumprimentos da multidão.
- Eu vou matar você!- ela resmungou, exibindo os dentes para os jurados.
Ele riu.
- Relaxe, Beckett. Inscrevi a gente na categoria de amadores. Imaginei que você não soubesse dançar. – ele provocou.
- Amadora? – ela rosnou. – Vou mostrar a você quem é "amador" aqui.
Castle realmente a conhecia o suficiente.
Não que ele estivesse surpreso, mas vê-la praticamente conduzindo os movimentos estava o deixando incomodado.
- Você sabia, Detetive Beckett, que é o homem que conduz?
- Oh, sério? – ela se fez um pouco de desentendida. – Então me conduza.
Castle seguiu acompanhando a música proposta, a primeira de uma sequência de três. Primeiro foi uma valsa, depois um bolero e por último, a mais deliciosa dança de casal: tango.
- Okey, - disse Beckett meio impaciente. – Nessa última, você me acompanha.
Rick ainda tentou argumentar, mas o modo como ela puxou o vestido levemente para cima, o suficiente para mostrar seu belíssimo conjunto de pernas o fez sufocar momentaneamente. Sim era uma dança quente, onde inevitavelmente havia um excesso de toques físicos e uma teatralidade onde o fundamental era provocar. E nisso, ela era... Deus, ela era boa.
Ela dançava, na verdade, o maltratava roçando seu corpo no dele, trazendo sua boca perigosamente perto. Rick estava ficando tonto, mas qual seria a graça se ele não revidasse toda aquela tortura? Ele a puxou contra seu corpo, fazendo-a soltar um gemido de surpresa. Seus dedos passearam pelo rosto dela, descendo pelo pescoço e colo enquanto ela inclinava-se para trás deliciando-se com o toque. Era um passo exigido pela dança, mas ambos sabiam que aquilo era algo mais. Tudo entre eles era.
Rick a puxou de volta, e então o olhar deles se encontrou. Exasperado, tenso e denso, revelando o desejo que eles não conseguiam mais esconder. Por um minuto eram só eles ali. E o tempo passou, e na pista de dança aquele casal permanecia fincado um no outro, cada um tentando evitar o deslize que sabiam que ia acabar fazendo-os mergulhar na boca um do outro.
Os aplausos da platéia os trouxeram de volta à realidade. Não havia ganhadores no concurso, visto que era uma noite apenas para os amantes da dança. Assim, Castle e Beckett saíram daquela pista de mãos dadas, completamente desconcertados e para refrescar o ambiente, pediram uma bebida. Apreciavam a dança dos outros casais, agora mais profissionais, mas realmente não estavam ligando muito. Conversavam sobre várias coisas, mas quase sempre ficavam sem nada para comentar. Ainda assim, estavam adorando a companhia.
- Então, Detetive Beckett. – disse ele quebrando o silêncio. – Onde aprendeu a dançar daquele jeito?
- Minha mãe. – falou ela, relembrando. – Ela adorava dançar com o meu pai.
Ele riu.
- E você?
- Dancing with stars!
- Eu sabia! – disse ela, rindo alto.
A noite continuou e agora, apenas as músicas tocavam naquele lugar luxuoso. Já estavam chegando às 3 da manhã, quando a detetive começou a apresentar sinais de cansaço. Ele não queria ir embora e ela também não, então resolveram aproveitar uma última oportunidade.
- Uma última dança detetive? - ele convidou com um sorriso.
- Claro. - ela aceitou, segurando a mão que ele gentilmente oferecia.
(aqui a música pra quem quiser ouvir: watch?v=A0EBj68dlak&feature=artist )
Caminharam até o meio da pista de dança, aproveitando a troca de músicas, e banda que se preparava para continuar a tocar. O piano suave do começo da música pareceu familiar aos dois, mas não reconheceram de imediato. Até que a primeira estrofe começou.
- Castle! Eu adoro essa música. – disse Kate, com um belo sorriso no rosto.
- Eu também gosto muito dela. É muito bonita.
- E romântica... – Beckett acrescentou antes de repousar a cabeça no ombro dele.
- Sim...
- Como assim? - ela apenas o encarou.
- No amor... esse amor eterno, sem barreiras, sem limites. O amor dessa música. - disse ele, sem saber de onde as palavras vinham.
- Sim, acredito. Apesar de nunca ter vivido algo parecido, eu acredito sim. - respondeu ela, e ele se deu por satisfeito.
Houve uma pausa.
- E você? - Kate retomou a conversa.
- Eu o que?
- Você acredita nisso?
- Bom, eu já tive dois casamentos fracassados... - Castle lamentou. - Bem, não totalmente, um deles me deu Alexis, mas em relação ao amor, acho que nunca tive realmente isso de verdade...
- Entendo... – ela suspirou voltando à posição anterior.
- Até agora... – ele quis falar, mas apenas pensou. - Quem sabe um dia... - finalmente disse.
- É, um dia... - Beckett concordou, apertando seu corpo contra o dele, sem perceber.
Inconscientemente ele começou a cantarolar aquela canção no ouvido dela e Kate ia sendo embalada por aquela voz, nos braços de Castle. E isso estava fazendo seu estômago revirar numa doce sensação.
Kate, no entanto, não queria parecer uma "manteiga derretida" chorando em pleno salão de danças. Levantou o olhar para pedir para irem embora, mas foi calada pelo olhar de Castle, exatamente no momento em que ele recitava os últimos versos daquela poesia.
Foi um beijo lento, excessivamente calmo, onde os lábios se intercalaram, sentindo a maciez tímida um do outro. O coração de Castle pulava dentro de seu peito. Poderia ser morto em seguida, mas aquela era uma oportunidade única. Ela podia odiá-lo para todo o sempre, mas sim, ele a estava beijando, como se fosse a única forma de fazê-la entender que era real. Ele era real.
Beckett não sabia direito o que fazer. Por um momento sentiu como se aquele fosse seu primeiro beijo em toda a sua vida. Em poucos segundos optou por finalmente corresponder, seguindo o ritmo ditado pelos lábios do escritor. Uma fase de reconhecimento, um primeiro beijo. Ela subiu as mãos até o pescoço dele envolvendo-se naquele momento de carinho e cumplicidade. Ele afagou os cabelos dela, enquanto a outra mãos enrolava-se naquela cintura fina. Ainda sentindo o corpo estremecer Beckett quebrou o beijo inclinando-se levemente para trás.
- É melhor nós irmos, Castle.
Autor: Just for Stana
Categoria: AU , Multitemporadas
Classificação: NC-17
Capítulos: 4
Completa: [x] Yes [ ] No
Resumo: Desde que o conheceu, nada em sua vida voltou a ser comum. Muito menos o Natal.
Chapter 3
A ceia de Natal continuou animadamente, com todos tendo seu momento para compartilhar algo importante ou mesmo irrelevante de seu dia a dia. Claro que Richard Castle, como exímio historiador, era dono dos fatos ou não fatos mais interessantes, para não dizer exagerados.
Vez por outra, durante a troca de pratos ou mesmo de uma risada mais à vontade, eles também trocavam toques e como sempre, olhares. Era maravilhoso ver um e o outro tão à vontade assim. Especialmente ela.
Rick não esperava muitas recompensas de sua jornada nessa vida, afinal, já tinha praticamente tudo. Um bom nome, uma boa família, uma excelente carreira. Uma mãe louca, que na maioria das vezes era sua amiga confidente, uma filha adorável que muitas vezes era sua melhor conselheira, e uma amiga, colega de trabalho, sua parceira que poderia ser resumida naquela palavra que vez por outra ele adorava usar. Extraordinária.
Sim, Castle adorava sua vida, não tendo o que reclamar. Seu trabalho cruzava a barreira entre a monotonia e o excitante em questão de segundos e em um momento em que tudo não era outra coisa, senão um mar de dúvidas sombrias, uma reviravolta acontecia e então estavam diante de mais um desfecho de uma bela história, ainda que algumas vezes o final não fosse tão belo assim.
No entanto, das poucas coisas que ele poderia incluir na sua lista de pedidos de final ou de começo de ano, havia uma que ele queria desesperadamente ter, ainda que não fosse sua diretamente. Ele queria vê-la feliz. Partia o coração de Castle ver aquela maravilhosa mulher sempre carregando uma espécie de sombra em seu semblante. Queria poder vê-la sorrir com os cabelos ao vento, os pés dançando na areia, com o vestido salpicado pela água do mar, celebrando a liberdade que ela merecia viver.
Rick estava curtindo um bom vinho, enquanto os demais abriam os presentes animados. Pequeninas lembranças que ele mesmo havia providenciado e diante de todos os agradecimentos que poderia estar recebendo, apenas um fez seu coração saltar uma batida. Aquelesorriso.
Seu serviço parecia ou poderia estar completo, mas ele queria que essa noite durasse para sempre. Ele queria que aquele sorriso durasse para sempre. Então levantou-se dando continuidade à terceira parte do plano.
Já havia passado a meia noite e após todos desejarem uns aos outros o tradicional "Feliz Natal" e demais felicitações entre abraços calorosos, cada um seguiu com seus planos para o restante da noite. Alexis faria uma maratona de filmes com algumas amigas, Martha se reuniria com alguns amigos artistas e o pai de Beckett voltaria para sua cabana para festejar com seus companheiros. Despedidas feitas, restava só eles dois naquele apartamento tão especial.
- Obrigada, Rick. - Kate o abraçou, recebendo de volta o carinho dele.
- De nada, detetive, mas a sua noite ainda não acabou.
Beckett o olhou com curiosidade, recebendo de volta aquele sorriso típico de quem estava aprontando algo. Mas após todos esses anos ele já havia conquistado sua confiança e ela insistia em se convencer de que era apenas isso.
- Okey, "mystery writer". Já que não pude comprar nada pra você... Essa noite eu serei seu presente de Natal. - falou ela, gesticulando como se estivesse reverenciando-o.
- Wow, Detetive Beckett, você sabe o que nós fazemos com nossos presentes de Natal? - perguntou ele, dando um passo sedutor em direção à ela. - Desembrulhamos...
Beckett deu um soco no ombro dele, de maneira leve mas ainda assim a reação dele foi dramática. Céus, Richard Castle possuía mesmo um lado "Martha Rodgers" na veia.
- Auch! - reclamou ele, massageando o ombro com cara de vítima.
Ambos riram.
- Vamos lá, Castle. O que você ainda tem em mente? - perguntou ela em tom divertido.
Chegando à entrada de seu prédio, Kate se deparou com uma enorme limusine à espera dela. Castle não era um homem que vivia esbanjando o seu dinheiro por aí. Quer dizer, não muito. E quando se tratava de algo relacionado à sua adorável parceira Richard Castle abria todas as exceções. Beckett, ainda se maravilhava com o interior do veículo, quando ouviu aquele ruído típico de garrafa de champagne sendo aberta.
- À nossa parceria... - disse ele oferecendo uma taça à ela.
- Ào nosso relacionamento. - respondeu ela, sem pensar, ou quase.
Então os dois engoliram suas bebidas, tentando entender o significado escondido por trás do que ela havia acabado de dizer. Se é que ainda estava mesmo escondido.
Na limusine tocava uma música agradável e relaxante e a conversa seguia o mesmo padrão. Os toques físicos e olhares mais demorados, no entanto, eram evitados. Cerca de meia hora de passeio pela cidade completamente enfeitada pelas luzes natalinas finalmente chegaram ao seu destino.
Era um dos restaurantes mais chiques da cidade, e apesar de ser Natal, onde a maioria das pessoas preferia reuniões mais reservadas e familiares, o lugar estava realmente cheio. Adentraram o ambiente e antes de procurarem a mesa já devidamente reservada, Castle dirigiu-se para uma pequena recepção onde pessoas se amontoavam pegando alguns panfletos. Minutos depois ele voltou com dois adesivos iguais para ele e para ela.
- Aqui... – disse ele apressado. – Coloque nas minhas costas. Já vai começar.
- O que? – perguntou ela confusa, mas fazendo o que ele disse. – O que já vai começar, Castle?
- Nosso concurso de dança! – falou ele grudando o papel nas costas dela, empurrando-a para dentro.
Beckett arregalou os olhos, não acreditando no que aquele maluco havia aprontado com ela. Inscreveu ambos em um concurso de dança e antes mesmo que ela pudesse matá-lo, coisa que com certeza ela estava planejando fazer, Kate se viu no meio do grande salão, onde dezenas de outros casais recebiam os cumprimentos da multidão.
- Eu vou matar você!- ela resmungou, exibindo os dentes para os jurados.
Ele riu.
- Relaxe, Beckett. Inscrevi a gente na categoria de amadores. Imaginei que você não soubesse dançar. – ele provocou.
- Amadora? – ela rosnou. – Vou mostrar a você quem é "amador" aqui.
Castle realmente a conhecia o suficiente.
Não que ele estivesse surpreso, mas vê-la praticamente conduzindo os movimentos estava o deixando incomodado.
- Você sabia, Detetive Beckett, que é o homem que conduz?
- Oh, sério? – ela se fez um pouco de desentendida. – Então me conduza.
Castle seguiu acompanhando a música proposta, a primeira de uma sequência de três. Primeiro foi uma valsa, depois um bolero e por último, a mais deliciosa dança de casal: tango.
- Okey, - disse Beckett meio impaciente. – Nessa última, você me acompanha.
Rick ainda tentou argumentar, mas o modo como ela puxou o vestido levemente para cima, o suficiente para mostrar seu belíssimo conjunto de pernas o fez sufocar momentaneamente. Sim era uma dança quente, onde inevitavelmente havia um excesso de toques físicos e uma teatralidade onde o fundamental era provocar. E nisso, ela era... Deus, ela era boa.
Ela dançava, na verdade, o maltratava roçando seu corpo no dele, trazendo sua boca perigosamente perto. Rick estava ficando tonto, mas qual seria a graça se ele não revidasse toda aquela tortura? Ele a puxou contra seu corpo, fazendo-a soltar um gemido de surpresa. Seus dedos passearam pelo rosto dela, descendo pelo pescoço e colo enquanto ela inclinava-se para trás deliciando-se com o toque. Era um passo exigido pela dança, mas ambos sabiam que aquilo era algo mais. Tudo entre eles era.
Rick a puxou de volta, e então o olhar deles se encontrou. Exasperado, tenso e denso, revelando o desejo que eles não conseguiam mais esconder. Por um minuto eram só eles ali. E o tempo passou, e na pista de dança aquele casal permanecia fincado um no outro, cada um tentando evitar o deslize que sabiam que ia acabar fazendo-os mergulhar na boca um do outro.
Os aplausos da platéia os trouxeram de volta à realidade. Não havia ganhadores no concurso, visto que era uma noite apenas para os amantes da dança. Assim, Castle e Beckett saíram daquela pista de mãos dadas, completamente desconcertados e para refrescar o ambiente, pediram uma bebida. Apreciavam a dança dos outros casais, agora mais profissionais, mas realmente não estavam ligando muito. Conversavam sobre várias coisas, mas quase sempre ficavam sem nada para comentar. Ainda assim, estavam adorando a companhia.
- Então, Detetive Beckett. – disse ele quebrando o silêncio. – Onde aprendeu a dançar daquele jeito?
- Minha mãe. – falou ela, relembrando. – Ela adorava dançar com o meu pai.
Ele riu.
- E você?
- Dancing with stars!
- Eu sabia! – disse ela, rindo alto.
A noite continuou e agora, apenas as músicas tocavam naquele lugar luxuoso. Já estavam chegando às 3 da manhã, quando a detetive começou a apresentar sinais de cansaço. Ele não queria ir embora e ela também não, então resolveram aproveitar uma última oportunidade.
- Uma última dança detetive? - ele convidou com um sorriso.
- Claro. - ela aceitou, segurando a mão que ele gentilmente oferecia.
(aqui a música pra quem quiser ouvir: watch?v=A0EBj68dlak&feature=artist )
Caminharam até o meio da pista de dança, aproveitando a troca de músicas, e banda que se preparava para continuar a tocar. O piano suave do começo da música pareceu familiar aos dois, mas não reconheceram de imediato. Até que a primeira estrofe começou.
Oh my love, my darling
I've hungered for your touch
A long lonely time
Eles se entreolharam radiantes. Essa música havia marcado uma geração e por muito tempo foi como um hino sobre o amor eterno.I've hungered for your touch
A long lonely time
- Castle! Eu adoro essa música. – disse Kate, com um belo sorriso no rosto.
- Eu também gosto muito dela. É muito bonita.
- E romântica... – Beckett acrescentou antes de repousar a cabeça no ombro dele.
- Sim...
Time goes by so slowly
and time can do so much
Are you still mine?
I need your love, I
I need your love
God speed your love to me
- Kate... você acredita no amor? - falou ele sem pensar se era ou não uma boa idéia.and time can do so much
Are you still mine?
I need your love, I
I need your love
God speed your love to me
- Como assim? - ela apenas o encarou.
- No amor... esse amor eterno, sem barreiras, sem limites. O amor dessa música. - disse ele, sem saber de onde as palavras vinham.
- Sim, acredito. Apesar de nunca ter vivido algo parecido, eu acredito sim. - respondeu ela, e ele se deu por satisfeito.
Houve uma pausa.
- E você? - Kate retomou a conversa.
- Eu o que?
- Você acredita nisso?
- Bom, eu já tive dois casamentos fracassados... - Castle lamentou. - Bem, não totalmente, um deles me deu Alexis, mas em relação ao amor, acho que nunca tive realmente isso de verdade...
- Entendo... – ela suspirou voltando à posição anterior.
- Até agora... – ele quis falar, mas apenas pensou. - Quem sabe um dia... - finalmente disse.
- É, um dia... - Beckett concordou, apertando seu corpo contra o dele, sem perceber.
Inconscientemente ele começou a cantarolar aquela canção no ouvido dela e Kate ia sendo embalada por aquela voz, nos braços de Castle. E isso estava fazendo seu estômago revirar numa doce sensação.
Lonely rivers flow to the sea
To the sea
To the open arms of the sea
yeah yeah
Lonely rivers sigh "Wait for me"
Wait for me
I'll be coming home
Wait for me
Uma
lágrima rolou pelo rosto de Beckett. Como ela precisava de um amor
assim. Sim, ela sentia falta. No fundo achava que realmente nunca seria
feliz. Mas ali agora, nos braços de Castle, sentindo o coração dele
pulsar mais forte enquanto cantava aqueles versos, ela podia quase
acreditar. E ela queria tanto que fosse verdade.To the sea
To the open arms of the sea
yeah yeah
Lonely rivers sigh "Wait for me"
Wait for me
I'll be coming home
Wait for me
Kate, no entanto, não queria parecer uma "manteiga derretida" chorando em pleno salão de danças. Levantou o olhar para pedir para irem embora, mas foi calada pelo olhar de Castle, exatamente no momento em que ele recitava os últimos versos daquela poesia.
I need your love, I,
I need your love
God speed your love to me
Beckett
se sentiu despida por aquele olhar. Deus, ela queria acreditar, queria
que fosse ele. Na verdade era ele, mas no entanto, ao sentir que seus
rostos se aproximavam perigosamente, estava de novo à beira do pânico.
Se sentiu encurralada, querendo e ao mesmo tempo decidindo se realmente
queria beijá-lo. O debate interno dela foi interrompido pelo toque da
mão de Castle trazendo-a de volta para ele até o encontro de sua boca.I need your love
God speed your love to me
Foi um beijo lento, excessivamente calmo, onde os lábios se intercalaram, sentindo a maciez tímida um do outro. O coração de Castle pulava dentro de seu peito. Poderia ser morto em seguida, mas aquela era uma oportunidade única. Ela podia odiá-lo para todo o sempre, mas sim, ele a estava beijando, como se fosse a única forma de fazê-la entender que era real. Ele era real.
Beckett não sabia direito o que fazer. Por um momento sentiu como se aquele fosse seu primeiro beijo em toda a sua vida. Em poucos segundos optou por finalmente corresponder, seguindo o ritmo ditado pelos lábios do escritor. Uma fase de reconhecimento, um primeiro beijo. Ela subiu as mãos até o pescoço dele envolvendo-se naquele momento de carinho e cumplicidade. Ele afagou os cabelos dela, enquanto a outra mãos enrolava-se naquela cintura fina. Ainda sentindo o corpo estremecer Beckett quebrou o beijo inclinando-se levemente para trás.
- É melhor nós irmos, Castle.
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